Linguagem não verbal auxilia no trabalho de advogados, promotores e juízes

Leitura de sinais silenciosos ajuda operadores de Direito a detectar o não dito

Na faculdade de direito aprende-se sobre a aplicação e o cumprimento das leis, e uma ferramenta que tem sido empregada no âmbito jurídico é a leitura de uma linguagem não verbal. Essa linguagem silenciosa pode ajudar a solucionar casos. Observa-se o não dito, as microexpressões faciais e quaisquer pistas que podem indicar incongruências. Pode ser usada por advogados, promotores e juízes para entender o que não é colocado em palavras.

Há controvérsias, já que é uma evidência subjetiva, mas que pode levar a provas concretas. Estudos apontam que a maior parte da comunicação humana é feita de maneira não verbal. Assim, torna-se essencial que advogados, promotores e juízes tenham algum tipo de fluência em ler pessoas. A variação de expressões pode desvendar vestígios que não se apresentam pelas palavras, tanto na investigação, quanto no tribunal.

Comportamentos que não condizem com a ocasião levantam suspeitas até mesmo na fase investigativa. A maioria das pessoas se lembra da visita dos policiais à casa de Suzane Von Richthofen logo após o assassinato dos pais. Ao invés de encontrarem uma jovem em luto, sofrendo pela perda dos genitores, surpreenderam-se ao se deparar com a moça de biquíni curtindo a piscina. Essa atitude levantou suspeita imediata.

As séries de TV investigativas e sobre tribunais fazem com que o espectador entenda um pouco do mundo jurídico, como Law & Order, Suits e CSI. Já Lie to Me é uma série que retrata um personagem baseado em uma pessoa real, que é psicólogo e expert em linguagem corporal, bem como expressões faciais. O protagonista trabalha para detectar fraudes e mentiras, auxiliando a polícia a desvendar casos.

No tribunal, o contato visual, por exemplo, pode estabelecer confiança, e a falta dele já indica outros aspectos do contato. O sorriso carrega uma série de informações, e a variação dele leva a diferentes impressões sobre o assunto em questão. Movimentos de mãos e pernas podem demonstrar nervosismo e até mentiras podem ser detectadas por expressões corporais. As microexpressões faciais também devem ser notadas para entender se elas condizem com o que é dito.

Além das técnicas para detectar a linguagem não corporal, os advogados tornam-se cada vez mais cientes de como eles mesmos se comportam. Para ganhar um caso, especialistas sugerem que ser gentil é a melhor tática. Quando o profissional é amável, ele pode conquistar o júri e influenciar o julgamento com sua expressão corporal, além do tom de voz para expressar-se. Tanto a consciência da linguagem verbal, como a leitura da linguagem não verbal, podem auxiliar os operadores do direito.

Foto: Divulgação

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