Conheça o que são cuidados paliativos
Entenda como os cuidados paliativos atuam para aliviar sintomas, reduzir o sofrimento e promover qualidade de vida
Cuidados paliativos são uma abordagem de saúde que tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida de quem enfrenta doenças graves, crônicas ou em estágio avançado sem a possibilidade de cura, conforme definição das autoridades de saúde. Dessa forma, a proposta é proteger e acolher pacientes e familiares em momentos de vulnerabilidade frente a um diagnóstico difícil.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 625 mil pessoas apresentam esse quadro no Brasil e, ao contrário do que muitos imaginam, os cuidados paliativos não representam desistência do tratamento, mas uma estratégia que adiciona conforto e dignidade ao processo terapêutico.
Dados da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) mostram que há 234 serviços especializados em cuidados paliativos registrados no Brasil. Desse total, 90 são pediátricos. As instituições que atuam na área oferecem acolhimento desde o diagnóstico até os momentos finais e o luto, incluindo suporte físico, emocional, social e espiritual, voltados ao alívio do sofrimento e ao manejo de sintomas do paciente.
Cuidados paliativos não são desistência
Um dos maiores desafios sobre cuidados paliativos está na associação automática com a fase terminal de uma doença, como informa o Instituto Paliar. Portanto, não se trata de desistência: a abordagem é complementar ao tratamento principal.
O Ministério da Saúde reforça que o objetivo dos cuidados paliativos é aliviar sintomas físicos, reduzir o sofrimento emocional e promover bem-estar, permitindo que o paciente mantenha qualidade de vida enquanto realiza tratamentos ativos.
Em casos de pacientes com câncer, por exemplo, uma equipe multidisciplinar se dedica ao controle da doença enquanto os profissionais de cuidados paliativos atuam no manejo de dor, náuseas, falta de ar, ansiedade, fadiga e outros efeitos adversos que podem surgir durante terapias como quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia para câncer metastático.
Na prática, os cuidados paliativos podem possibilitar que o paciente viva por mais tempo, com mais autonomia e conforto, mesmo diante de condições graves, como o câncer em estágio avançado. Em relação aos familiares e pessoas próximas, é dado suporte e informações sobre como a quimioterapia é feita, quais serão os próximos passos e resultados esperados.
De acordo com o estudo “Percepções dos profissionais de saúde sobre cuidados paliativos”, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a principal característica da abordagem é o cuidado contínuo, que não se limita ao hospital. Equipes paliativistas acompanham o paciente onde ele estiver, inclusive em casa, para garantir apoio regular, orientações sobre sintomas, adequação de medicações e suporte psicológico tanto a ele, quanto à família.
O estudo destaca que a integração permite que a pessoa vivencie com mais serenidade os ciclos terapêuticos, mantenha as atividades do dia a dia e preserve o bem-estar físico e emocional. Dessa forma, a assistência paliativa evita internações desnecessárias e reduz o desgaste físico e emocional.
Na área da oncologia, esse suporte ampliado é determinante para que muitas pessoas sigam vivendo, trabalhando, convivendo e se relacionando com qualidade, mesmo durante tratamentos prolongados.
Legislação brasileira sobre os cuidados paliativos
No Brasil, há uma Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP), aprovada em 7 de maio de 2024 pela Portaria GM/MS nº 3.681, para integrar os cuidados paliativos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta prioriza pacientes com doenças crônicas, condições terminais ou que necessitam de cuidados prolongados e busca garantir atendimento contínuo e humanizado.
As normativas estabelecem a participação articulada entre governos e equipes de saúde em todos os níveis assistenciais. O Ministério da Saúde é responsável pelo monitoramento e avaliação do programa ao nível nacional, direcionado ao cuidado por meio de três eixos estruturantes: criação de equipes multiprofissionais para disseminar práticas, promoção de informação e educação qualificada e garantia de acesso a medicamentos essenciais.
Indicação de cuidados paliativos
A indicação dos cuidados paliativos se estende a diversas condições além do câncer, incluindo insuficiências orgânicas avançadas, como insuficiência cardíaca grave e insuficiência renal crônica; doenças genéticas; doenças neurológicas degenerativas e outras condições crônicas progressivas, como informam as autoridades de saúde.
No caso da oncologia, o câncer de mama é o tipo mais comum em mulheres no Brasil, sendo a principal causa de morte por neoplasia na população feminina, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
O reconhecimento rápido dos primeiros sintomas de câncer de mama permite não apenas o diagnóstico no estágio inicial, mas também um planejamento terapêutico que incorpore o suporte paliativo desde o início, como destacam as autoridades de saúde, reconhecendo que o tratamento bem-sucedido de uma doença grave vai além da remissão, englobando aspectos como qualidade de vida, autonomia do paciente e suporte familiar durante toda a jornada.
Por que cuidados paliativos importam?
As autoridades de saúde defendem que os cuidados paliativos exercem um papel essencial, uma vez que oferecem um acompanhamento que valoriza a pessoa em sua totalidade e não foca apenas o avanço da doença. A orientação profissional paliativa faz com que cada etapa do tratamento seja vivida com mais segurança e menos sofrimento.
Em vez de representar um desfecho, os cuidados paliativos criam possibilidades para que as pessoas consigam manter-se ativas, presentes na rotina e com controle de sintomas por longos anos, como explica o Instituto Paliar.
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