COVID-19 E PLANEJAMENTO PANDÊMICO – COMO AS EMPRESAS DEVEM RESPONDER?

Aqui, Daniel Homem de Carvalho discute como as empresas podem responder a essa pandemia para continuar crescendo em tempos de incerteza.

Ele compartilha suas idéias e dicas sobre como as empresas podem responder a esta pandemia para continuar crescendo em tempos de incerteza.

  1. Idealmente, o que as empresas deveriam ter feito para se preparar para essa situação?

Esta é uma questão intrigante quando olhamos para o passado e pensamos sobre ele. Digo isso porque é evidente que olhando historicamente para as empresas e seus cenários de negócios antes da pandemia e durante o curso dela – e temos que nos limitar a esse escopo porque ainda estamos vivenciando – as empresas deveriam ter estruturado suas operações para ter elaborado o famoso “plano B”, caso suas principais estratégias sofressem algum tipo de impacto relevante ou essas estratégias não pudessem ser seguidas da noite para o dia, qualquer que fosse o fator surpresa. 

Obviamente, muitos empresários, executivos e suas empresas não tinham conhecimento ou experiência anterior recente que pudesse contribuir para a formação de julgamentos de valor em relação a um obstáculo semelhante de tal magnitude como esta pandemia de COVID-19, portanto, havia muito pouca evidência material de que eles poderiam confiar para determinar que tipo de alternativas poderiam ter preparado, se necessário.

Para muitas empresas, essa pode não ser uma realidade viável, mas a diversificação dos negócios tem se mostrado uma alternativa interessante para que as empresas não sejam dependentes de resultados vinculados exclusivamente a um aspecto empresarial. Esta é uma máxima comumente utilizada no mercado financeiro onde, como de costume, é adotada a posição de “não manter todos os ovos na mesma cesta”, pois está implícito que essa concentração de risco pode expor muito o investidor. Assim, por analogia, o mundo dos negócios deve adotar filosofia semelhante em busca da longevidade de suas operações.

Infelizmente, a pandemia não teve precedentes e muitas empresas podem não ter tomado as medidas acima. Como as empresas devem reagir quando tudo está no ar? Qual deve ser sua prioridade?

Em tempos difíceis nascem boas oportunidades! Quando pega de surpresa e às vezes até despreparada, as empresas devem adotar medidas de gestão e governança mais agressivas. É importante que executivos responsáveis ​​não se deixem levar pelo aspecto emocional e tomem medidas precipitadas que podem causar arrependimentos no futuro.

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As qualidades, as características mais fortes da empresa e seus diferenciais devem ser levados em consideração para que a empresa possa desenvolver um plano de recuperação que garanta a manutenção de seu capital humano (na medida do possível), preservando assim aquelas fortalezas que constituem sua “marca”. Nesse momento, a perda dessa essência corporativa pode ser muito prejudicial para a empresa.

Paralelamente, devem focar nos novos padrões e práticas de consumo que se vão formando, de forma a identificar rapidamente como é possível ajustar a sua nova oferta de produtos ou serviços, pois inevitavelmente os antigos modelos podem nunca mais voltar a ser praticados. Isso pode ser imprudente para a empresa, pois simplesmente permanecer inerte sob a expectativa de retornar ao “status quo” pode resultar em sua morte.

Tais ajustes podem representar até uma mudança de cento e oitenta graus para a empresa na busca pela manutenção de sua existência. As empresas e seus executivos devem manter a mente aberta e passar a operar com produtos, serviços ou modelos de negócios e comerciais nunca antes considerados no “velho normal”.

Desta forma, o importante de Daniel Homem de Carvalho é que as empresas mantenham vivo o seu apetite de crescimento e manutenção das suas atividades, devendo colocar em prática iniciativas de liderança motivacional, pois desta forma, cultivando esta cultura de desafio e sucesso, irão ser capaz de manter seus funcionários comprometidos em ajudar na busca de alternativas e implementá-las com diligência diante de situações mais drásticas, como a que vivemos atualmente com a pandemia de COVID-19.

E as transações comerciais que estavam em andamento? Eles ainda estão em condições de prosseguir ou as empresas devem manter alguma atividade de M&A?

Em relação às transações, um primeiro aspecto relevante e necessário a ser considerado é a contratação entre as partes e a existência ou não da relação contratual com força maior ou cláusulas semelhantes que pudessem ser invocadas pelas partes como fator suspensivo da transação.

Superada esta primeira análise de aspecto mais formal, e partindo do pressuposto de que as decisões subsequentes dependem apenas da vontade das partes, é necessária uma avaliação mais ampla e aprofundada do impacto da operação no mercado para contribuir para a decisão de prosseguir. ou suspender o progresso.

O exposto acima é relevante porque não só as partes podem ser impactadas por uma crise inesperada e na proporção vivida, mas tanto quanto a decisão de seguir em frente ou suspender a operação pode gerar reflexos nos mais diversos mercados, que podem ser altamente favoráveis pois podem ser igualmente catastróficos. Por este motivo, esta análise atrelada à responsabilidade social é adequada para não criar um desequilíbrio no ambiente em que se encontram as partes que possa resultar em obstáculos futuros à operação e até mesmo responsabilização por impactos sociais negativos causados ​​em decorrência de irresponsabilidade decisões.

Este é um bom momento para as empresas revisarem os contratos? O que eles deveriam estar olhando?

Infelizmente, o momento que vivemos afetou vários países e suas empresas de tal forma que todo o mundo empresarial se viu obrigado a buscar vantagens competitivas ou ajustes para manter suas operações.

Tendo em vista que o impacto foi generalizado, uma discussão mais importante do que se o momento é apropriado é levar em consideração os Princípios de Equidade e Equidade, pois é claro que os benefícios buscados por um lado vêm carregados com o sacrifício direto do outro lado em um momento em que várias outras variáveis ​​podem já estar desequilibradas, o que pesaria muito para um único lado.

Assim, é fundamental para Daniel Homem de Carvalho que as partes mantenham um diálogo aberto para que juntas possam buscar alternativas baseadas no consenso entre ambas as partes, garantindo a manutenção de relações jurídicas justas.

E se os fornecedores da empresa não conseguirem cumprir o seu término do contrato? Que ação pode ser realizada, especialmente para diminuir o impacto do cliente?

A cadeia produtiva deve ser pensada de forma crítica e estratégica, independentemente do momento do mercado, seja ele positivo ou negativo.

Isso porque a concentração e a dependência de um fornecedor exclusivo em uma cadeia produtiva pode representar um risco substancial. Se considerarmos que este provedor exclusivo ou único pode encerrar suas operações pelos mais diversos motivos, sejam eles relacionados a um período de estresse globalizado ou não, cria-se naturalmente um grau de dependência que não parece uma estratégia muito saudável ou plano para qualquer tipo de empresa.

Considerando o ponto de vista acima, todas as empresas devem manter contratos com pelo menos dois fornecedores distintos para todas as etapas de sua cadeia produtiva, de forma que possam migrar os contratos de um fornecedor para outro caso o fornecimento seja encerrado por um deles.

O mesmo princípio de diversificação de risco e a não concentração de “todos os ovos em uma cesta” deve ser seguido.

Evidentemente, se existe um fornecedor que é tão exclusivo para ser o único em todo o setor, então as empresas vinculadas a esse fornecedor devem enfrentar esse risco que já seria conhecido e, portanto, assumir que sua própria produção pode sofrer consequências irreparáveis ​​no ausência deste fornecedor; em alternativa, podem avaliar a possibilidade de não se restringirem apenas a este produto ou serviço, erradicando esta dependência de um único fornecedor.

Como as empresas que foram prejudicadas pela empresa podem se recuperar?

Para se pensar em uma recuperação para as empresas que foram profundamente afetadas, é preciso avaliar todo o cenário em que essa empresa está inserida. Isso porque é importante entender se a situação é específica daquela empresa ou se é todo o mercado ou setor de atuação em que ela atua que sofre esse impacto.

As reestruturações societárias, desde a vertente financeira ao posicionamento no mercado são alternativas, mas Daniel Homem de Carvalho pensa que não existe uma receita pronta que possa ser usada em todos os casos, pois cada especificidade deve ser tida em conta.

As empresas podem se ajudar no financiamento bancário para ajudar no fluxo financeiro até que a economia volte ao seu ritmo normal; eles podem adotar novas estratégias de posicionamento de mercado em termos de região, produto, entrega e assim por diante. Em casos mais drásticos, como experimentamos com algumas empresas importantes em seus mercados, o aproveitamento de possibilidades legais, como decretar e instituir uma recuperação judicial, permite que as empresas tenham tempo para reorganizar suas operações e, ao mesmo tempo, cumprir suas obrigações para com seus credores a fim de buscar essa sobrevivência empresarial de médio e longo prazo.

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