Vestibular Unesp registra alta de 89% no total de matriculados pretos e pardos nos últimos dez anos

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) é uma das faculdades mais bem-conceituadas na rede pública do país. Seu vestibular apresentou um avanço em relação à igualdade entre os estudantes da universidade. Nos últimos dez anos houve um crescimento de 89% no total de ingressantes pretos e pardos, segundo dados do Relatório do Vestibular Unesp, produzido pela Fundação Vunesp, que é a instituição responsável pelo exame, bem como para a realização de concursos públicos.

O relatório mostra que o total de negros (pretos ou pardos) foi de 949 no vestibular de 2010, sendo cerca de 15% dos 6.429 matriculados naquele ano para 1.798 no vestibular de 2020, representando 24% dos 7.485 novos estudantes que entraram para a Unesp por meio do exame. 

“Este aumento significativo de candidatos pretos e pardos matriculados ao longo da década é importante para a Universidade e tem fundamental participação do Sistema de Reserva de Vagas para Educação Básica Pública, implantado para o ingresso em 2014”, diz o professor Renato Eugênio da Silva Diniz, superintendente acadêmico da Fundação Vunesp. 

Novos espaços para os estudantes nas universidades públicas

Nos últimos anos, esses avanços têm sido frequentes e representativos, especialmente para a Unesp, que é pioneira entre as universidades estaduais de São Paulo no sistema de reserva de vagas para egressos de escolas públicas e para pretos, pardos e indígenas. Em 2018, por exemplo, a Unesp atingiu a meta de pelo menos 50% dos matriculados egressos da rede pública, tornando a universidade mais acessível e plural. 

Em geral, as universidades públicas do país têm ampliado as possibilidades aos estudantes para ingressar no Ensino Superior. Em 2019, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça Brasil”, que constatou, pela primeira vez, que a população que se declara de cor preta ou parda passou a representar 50,3% dos estudantes de Ensino Superior na rede pública, sendo mais da metade dos universitários. 

“Com a democratização do acesso ao Ensino Superior e também com mais jovens se declarando de cor preta ou parda, atingiu-se pela primeira vez essa proporção, de mais da metade. A pesquisa mostra melhoras em geral na educação, mas existe ainda desigualdade grande”, afirmou Luanda Botelho, pesquisadora do IBGE, ao G1.

Foto: Divulgação

Instagram