Petroleiros contra a fome: Sindipetro-SJC lança campanha para arrecadar alimentos e botijões de gás

Objetivo é apoiar as famílias mais vulneráveis para o enfrentamento da pandemia

O Sindipetro-SJC intensificou, nesta segunda-feira (12), a campanha de arrecadação de alimentos, que vem sendo realizada desde o início da pandemia. Agora, além de alimentos não perecíveis, também vai arrecadar botijões de gás para distribuição entre as famílias carentes da região. A meta é arrecadar 100 botijões de gás até o dia 1º de maio.

Sindipetro-SJC

O objetivo das iniciativas é apoiar as famílias mais vulneráveis para o enfrentamento da pandemia, durante a quarentena, diante da diminuição drástica no valor do auxílio emergencial concedida pelo governo Bolsonaro que varia de R$ 150 a R$ 375. Valor insuficiente para manter a alimentação, comprar gás e custear despesas básicas de uma família, por um mês.

Neste momento de agravamento da pandemia em todo o país, com números crescentes de casos e mortes, é imprescindível que as famílias mais pobres sejam amparadas de forma adequada, para que possam manter o isolamento social e, assim, desacelerar a propagação do coronavírus.

Para doar um botijão de gás, basta fazer um pix no valor de 75 reais para o número (12) 98872-9016, ou transferência desse valor para agência 3733, conta poupança 60015968-3, banco Santander. Depois, enviar o comprovante para o whatsapp 98874-5542. Todos que participarem da ação vão ganhar um brinde: uma caneca personalizada do Sindipetro-SJC.

Quem preferir doar alimentos, pode levar suas doações na sede do Sindicato durante a semana, das 9h às 17h, ou na porta da refinaria, em algumas datas pré-estabelecidas que foram amplamente divulgadas na categoria.

Preço deixou botijão inacessível

O alto preço do gás de cozinha que, mesmo em meio à pandemia, subiu 17% desde o início do ano, é resultado da inviabilidade da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) usada pela administração da Petrobrás para reajustar os combustíveis e derivados de petróleo, componentes importantes nos cálculos da inflação, com efeito cascata na cadeia produtiva e no bolso dos consumidores.

Essa nefasta política de precificação está tornando o gás de cozinha inacessível para uma grande parcela da população nesse momento de crise econômica causada pela pandemia do coronavírus.

Situação que já vem sendo denunciada há tempos pela categoria petroleira, que tem feito inúmeras campanhas contra a privatização, na defesa de uma Petrobrás 100% estatal e voltada para os interesses da população brasileira. Afinal, esse é o único caminho para combustíveis e gás de cozinha a preço justo, para todos.

“Preço justo, já!”

Sem o PPI, o botijão, essencial para a sobrevivência, poderia custar R$ 60 e ainda dar lucro para a Petrobrás, segundo cálculos do Observatório Social da Petrobrás, na campanha “Preço justo, já!”

Fome disparou

Outro dado preocupante é o da fome. Mais de 116,8 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar ou passando fome no Brasil, segundo pesquisa feita em dezembro de 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. O número, que é mais da metade do número total de brasileiros, engloba pessoas que não se alimentam como deveriam, com qualidade e em quantidade suficiente.

Deste total, 19 milhões de pessoas (cerca de 9% da população) estão passando fome, maior taxa em 17 anos (desde 2004). Também é quase o dobro do registrado em 2018, quando o IBGE identificou 10 milhões de brasileiros nessa condição.

Os números são alarmantes e mostram que o problema vem se agravando, tanto por conta da pandemia quanto da demora dos governos em garantir ajuda aos que mais precisam.

“Diante do que estamos vivendo, não podemos ficar de braços cruzados. Além da denúncia sobre os efeitos do PPI, o momento também é de ação, mobilização e solidariedade de classe para amparar os mais necessitados. O Sindicato está nessa luta e, temos certeza, vai poder contar com a ajuda e colaboração de toda a categoria”, disse a vice-presidente do Sindipetro-SJC, Cidiana Masini.

Foto:Divulgação
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