Quais os povos tradicionais do Cerrado brasileiro?

Conhecer um pouco mais dos povos tradicionais do Cerrado pode aumentar seu repertório histórico e cultural sobre o nosso país.

Você já parou para pensar nos povos tradicionais brasileiros e na quantidade de bagagem histórica e cultural que eles carregam? Conhecer um pouco mais sobre essas culturas nativas pode deixar ainda mais rica sua experiência de viajar para Goiás, Tocantins, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul.

Acabamos conhecendo  e pensando em métodos de preservação da fauna e da flora do cerrado, mas pouco se sabe sobre as comunidades tradicionais que habitam essa região. Porém, é muito importante salientarmos que eles detêm um amplo conhecimento sobre a biodiversidade local e fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro, portanto é nosso dever nos informar mais e buscarmos sempre a preservação desses povos.

Infelizmente, o governo brasileiro ainda não possui um mapeamento dos povos tradicionais, o que dificulta sua identificação, contabilização e os apontamentos geográficos sobre suas habitações. Continue lendo para conhecer um pouco mais sobre a cultura dos principais povos nativos da região.

Quilombolas

O termo “quilombola” tem sua origem no período colonial brasileiro e era usado para se referir aos escravos negros que fugiam dos engenhos e fazendas e formavam pequenas comunidades chamadas de quilombos. Hoje em dia esse termo caracteriza as populações descendentes desse povo e suas comunidades são voltadas para a agricultura de subsistência e suas manifestações culturais trazem muito vínculo com o passado africano.

Se engana quem pensa que toda comunidade quilombola é igual, só em território brasileiro existem mais de três mil comunidades quilombolas espalhadas pelo país, cada uma com sua cultura, história e tradições, porém interligadas por uma identidade étnica comum.

Vazanteiros (ou barranqueiros)

Os vazanteiros, ou barranqueiros, são uma população que depende dos rios, principalmente do São Francisco para sua sobrevivência. Eles são povos ribeirinhos que vivem da pesca; agricultura, principalmente o milho, feijão e tomate; e da criação de animais para a sua subsistência.

Como essa população é, por mais de quatro séculos, totalmente dependente da intermitência dos rios, eles possuem um vasto conhecimento sobre os ciclos da natureza e sobre a biodiversidade local.

Geraizeiros

Os Geraizeiros são uma população que habita o norte de Minas Gerais, na região de transição entre o bioma do cerrado e da caatinga, nas margens do Rio São Francisco.

O nome deriva do termo “Gerais”, que era utilizado para caracterizar o que hoje conhecemos como Cerrado.

Essa população possui grande sabedoria sobre a característica do bioma, realizando agricultura familiar e comunitária através de lavouras de milho, feijão, mandioca frutas e verduras. A criação de animais também traz conhecimentos muito tradicionais em sua prática, onde a capacidade da natureza é reconhecida e valorizada.

Quebradeiras de coco de babaçu (babaçueiras)

Essa população também vive em uma área de transição entre o cerrado e a caatinga brasileira, porém, sua concentração se dá nos estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará.

Há registro de mais de 300 mil mulheres que vivem do extrativismo de babaçu, uma das mais tradicionais palmeiras do território brasileiro. Esse movimento traz a peculiaridade de ser conduzido por mulheres, onde os homens têm papel nas danças e cerimônias religiosas.

O conhecimento dessas mulheres pode tirar proveito de toda a planta do babaçu, transformando as palhas das folhas em cestos, cascas dos cocos em carvão e a castanha em azeite e sabão.

Comunidades indígenas

Por fim, precisamos mencionar os moradores mais antigos desse bioma: os indígenas. No Cerrado há mais de 80 etnias e é preciso ressaltar a importância dessa população na defesa do bioma.

Atualmente, a população indígena do cerrado está em, aproximadamente, 100 milhões de habitantes e está em constante luta pelo respeito às determinações de terras indígenas e contra as ameaças de extinção de seu povo.

A cultura indígena possui forte relação com a natureza, seus saberes envolvem conexão com a terra e meios de cultivo e cuidado com a biodiversidade do cerrado.

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