Com muitas vantagens, desospitalização ainda é pouco ofertada para pacientes

Recomendado pela OMS, tratamento doméstico é tendência mundial, mas pacientes ainda encontram dificuldades no acesso à modalidade

O recente envelhecimento da população brasileira tem trazido diversas dificuldades para os gestores de saúde. Ainda sem regulamentações específicas para pessoas idosas com necessidades médicas especiais, o Brasil teve de acelerar as medidas para atender a essa população.

Apenas no ano de 2010 o homecare, ou tratamento doméstico, foi regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), fazendo com que até hoje a modalidade seja uma questão que impõe dificuldades aos pacientes e seus cuidadores, e levanta disputas entre estes e empresas de plano de saúde.

Mesmo com a regulamentação, ainda não existe uma obrigatoriedade clara para que as seguradoras incluam o tratamento em casa como uma especialidade oferecida por sua cobertura. Por isso, acabam surgindo disputas que questionam a exigência por parte dos segurados de que as empresas ofertem a modalidade, mas, em geral, a Justiça tem deixado claro que, sim, provedores de saúde são obrigados a atender às necessidades do paciente.

Apesar da tendência à vitória em disputas na Justiça contra as seguradoras de saúde, a demora no processo e o desgaste gerado pelo processo são obstáculos para quem deseja o direito ao tratamento em casa. Quando definido pelo médico como o melhor para a saúde do paciente em questão, a modalidade de cuidado doméstico é um direito e, portanto, deve ser oferecida pelas seguradoras de saúde.

Normalmente, pacientes que sofrem de estágios avançados de Alzheimer ou Parkinson, demência, que têm sequelas devido a acidentes vasculares cerebrais (AVCs) ou até mesmo por conta de uma contaminação por Covid-19 enquadram-se em casos onde o homecare é prescrito.

Atendimento humanizado

Em 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um relatório que previa que as condições crônicas de saúde seriam a primeira causa de incapacidade em todo o mundo até 2020. Isso significa que doenças que não têm cura, ou seja, doenças crônicas, são responsáveis pela maioria dos casos de atenção especializada, e que por isso demandam longos períodos de hospitalização e acarretam no aumento de custos da saúde pública e privada.

Como alternativa a esse quadro de longas hospitalizações e altos custos para hospitais, a desospitalização permite um nível de cuidado particular, muito mais focado nas necessidades do paciente e em suas dificuldades.

Uma equipe de homecare pode ser constituída, por exemplo, por médicos, fisioterapeutas, pessoas formadas no curso de enfermagem, nutricionistas, fonoaudiólogos e todo tipo de profissional que fará com que o cuidado em casa seja vantajoso.

O cuidado em casa ainda permite que o paciente tenha uma recuperação acompanhado da família, o que garante o bem-estar psíquico dele e dos familiares, além de ajudar a prevenir infecções hospitalares, bastante comuns em pessoas que passam temporadas longas no hospital, e desocupar leitos que podem ser utilizados para casos de emergências cirúrgicas, entre outros.

Por isso, a tendência é de que as exigências por essa modalidade de tratamento só aumentem, e caberá às empresas de medicina e aos órgãos do governo ligados à saúde acompanhar essa evolução.

Foto:Divulgação, istock

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