Você sabe o que é insegurança alimentar?

Pesquisa mostra que 36,7% dos lares brasileiros têm instabilidade alimentar após pandemia

Embora o Brasil seja um dos países com maior quantidade de terras férteis, ele também é um daqueles que lida com um dos problemas sociais mais urgentes: a insegurança alimentar, algo que se agravou bastante durante a pandemia.

Para quem não está familiarizado, a insegurança alimentar é descrita como falta de acesso ou disponibilidade a alimentos, ou seja, a falta de segurança de ter o que comer todos os dias. No Brasil, o número de pessoas na situação mais grave de vulnerabilidade – definida pela fome – já corresponde a 9% da população, um total de cerca de 19 milhões de pessoas, segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar.

Outro destaque feito pela pesquisa diz respeito ao gênero: a insegurança alimentar tende a atingir mais as mulheres que os homens. Em 11,1% dos lares chefiados por elas, os moradores passavam fome, fator que ocorre em menor porcentagem com eles: 7,7%. E isso ocorre sobretudo pelas oportunidades desiguais, especialmente para mulheres negras.

Para além da fome, a insegurança alimentar também pode ser definida como a falta de estabilidade. Ou seja, não ter segurança para saber se conseguirá comer em um futuro próximo, algo que ocorreu bastante durante a pandemia.

O vírus e a fome

Com a chegada da pandemia, milhares de brasileiros perderam o emprego. Sem renda fixa ou disponibilidade para novas vagas no mercado, algumas dessas pessoas entraram para o mapa de insegurança alimentar. 

Vale dizer que estar inserido nessa condição vai além de apenas não ter acesso à comida, mas compete também não ter acesso a uma alimentação saudável por falta de renda. 

Com a entrada do vírus no país, o Brasil voltou ao Mapa Mundial da Fome, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A situação de insegurança alimentar aumentou comprovadamente durante a pandemia, de acordo com estudo realizado pela Food for Justice – Power, Politics and Food Inequality in a Bioeconomy, da Universidade Livre de Berlim, feita em parceria com pesquisadores da UFMG e da UnB. 

Segundo a pesquisa, a insegurança alimentar já atinge quase 37% dos lares brasileiros, sendo a maior parte deles provinda pela falta de renda gerada pela pandemia. 

Ações solidárias

Ainda que o vírus tenha, de fato, assolado os trabalhadores e colocado ainda mais pessoas em situação de insegurança alimentar, houve também um forte movimento de solidariedade gerado por inúmeras entidades – algo essencial para evitar que muita gente passasse fome. 

O auxílio foi feito por meio de ONGs, com apoio de profissionais formados em nutrição EAD, para que a formulação das doações correspondesse ao ideal de alimentação saudável.

Foto: Divulgação

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