Retomada econômica exige vacinação em massa contra a Covid-19

Avaliação é unânime entre empresários e especialistas em negócios na América Latina

O que podemos esperar do segundo semestre deste ano em relação ao ambiente de negócios na América Latina? A retomada econômica do continente depende do avanço das campanhas de vacinação em massa contra a Covid-19.  Essa é a avaliação unânime dos especialistas Álvaro Santos Pereira, diretor de Country Studies da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na América Latina e ex-ministro da Economia de Portugal; Dirk Donath, managing partner Latin America da L Catterton; e Jason Marczak, diretor da Adrienne Arsht Latin America Center no Atlantic Council – ambos dos Estados Unidos.

O tema foi debatido em live realizada pela Latin Trade e pelo World Trade Center (WTC) Curitiba e Joinville na última semana, que reuniu líderes empresariais para discutir os prováveis cenários políticos, sociais e econômicos que as empresas enfrentarão no continente até o final do ano. A moderação foi feita pela professora Maria Tereza Fleury, da FGV

“Temos vários desafios e possibilidades que se apresentam para a retomada econômica na América Latina, mas dependemos muito da situação política em todos os países e do enfrentamento da pandemia no continente. Estamos vendo a cada dia o quão desafiadora é a geopolítica das vacinas para nossa região. Mas é fato que a ciência e a saúde estão desenhando o caminho a ser seguido, apesar dos percalços com o governo”, avaliou a especialista.

Para Josias Cordeiro da Silva, CEO do WTC Curitiba e Joinville, anfitrião do encontro ao lado de Santiago Gutierrez, editor executivo da Latin Trade, o planejamento a longo prazo das empresas ainda está prejudicado pelo andamento da pandemia, mas já existem setores que despontam. “Percebemos esse movimento com força entre as joint ventures e startups, com mais ‘unicórnios’ surgindo, dois deles em Curitiba, a Madeira Madeira e o Ebanx. O segundo segmento com bom desempenho é a internacionalização de negócios, com o qual estamos trabalhando no WTC, buscando mudar o mindset das empresas. Essas estratégias são produtivas para todo o ambiente de negócios do continente.”

Vacinação, investimentos e reformas

Representante da OCDE convidado para a live, Álvaro Santos Pereira enfatizou que os indicadores de crescimento econômico no Brasil e Argentina estão melhores agora do que há um ano, mas ainda não são bons. “A melhora vai depender de quatro fatores fundamentais: o controle da pandemia, a vacinação, os investimentos e as reformas. Em relação ao Brasil, as reformas podem melhorar os débitos em sustentabilidade existentes no país, bem como as inúmeras restrições e a burocracia que limitam o empreendedorismo. A retomada também precisará dar conta do aumento do desemprego e da informalidade. O aumento da competitividade é essencial para que a América Latina deixe de ser uma ilha e se abra para o mundo, com todas suas potencialidades.”

Jason Marczak avalia que o Brasil depende da velocidade de vacinação para a retomada de investimentos e perspectivas de negócios. “Estamos vendo que novas doses das vacinas estão chegando ao país após meses de negociação, assim como nos Estados Unidos, após o início do governo Biden. A pandemia trouxe uma nova era de cuidado com a saúde nas cidades. Também teremos oportunidades de retomar o turismo na América Latina, especialmente no Caribe, quando a situação melhorar. As possibilidades também ficaram maiores com o home office e a transformação digital em praticamente todos os setores da economia.”

Já a L Catterton possui atividades por toda a região, em especial na Cidade do México, Bogotá, Buenos Aires e São Paulo. “Não acho que otimismo seja a melhor palavra nesse momento, mas existe uma esperança de retomada nas atividades na segunda metade deste ano, com o avanço da vacinação na região. É um momento de transição. Acreditamos que as taxas de crescimento dos países latinos podem começar a melhorar no 3º e 4º trimestres, e em 2022. Surgiram novos perfis de consumo, avanço do e-commerce em segmentos como o mercado pet digitalizado, um dos investimentos que estamos fazendo”, detalhou Dirk Donath.

Setores em retomada

Santiago Gutierrez antecipa que existem oportunidades em todas as atividades que reduzem os custos de entrega de bens e serviços às comunidades, pois a digitalização e os novos modelos de negócios continuam sendo as ferramentas perfeitas para atingir esse objetivo.

“E existem oportunidades de negócios interessantes que melhoram o meio ambiente. Desde os serviços de eletrificação para transporte, reflorestamento e conservação, até a geração de energia limpa, que no caso da América Latina também inclui o etanol. Além do caso extraordinário da Guiana, outros países que logo se moverão para a ponta da recuperação serão México e Paraguai, apoiados por seus vizinhos; e Chile e Argentina, impulsionados pelo crescimento chinês. Já o Caribe terá que esperar até 2022 para sua recuperação”, analisa o editor da revista de negócios com foco na América Latina e Caribe.

World Trade Center

Somos um ecossistema global de comércio e investimento, criado há 50 anos como um ponto central de cooperação e conexão, visando a organizar e facilitar a expansão de negócios internacionais. Trabalhamos para dar continuidade ao legado do WTCA, de criar prosperidade e desenvolvimento econômico relevante, com foco no Brasil, mostrando ao resto do mundo o que os estados do Sul do Brasil têm de melhor a oferecer e perseguindo mais oportunidades para nossos associados. Aumentamos a competitividade das empresas locais, geramos negócios, fomentamos o comércio internacional, disseminamos melhores práticas globais, fomentamos a educação e a liderança empreendedora e trazemos inovação e investimentos para o país.

World Trade Center (WTC)
Live realizada pelo Latin Trade e WTC Curitiba e Joinville reuniu os especialistas Álvaro Santos Pereira, Dirk Donath e Jason Marczak, com mediação de Maria Tereza Fleury
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