Oscar e Ainda Estou Aqui
A cerimônia do Oscar desse ano foi repleta de surpresas e de clichês típicos do Oscar.
Com a apresentação de (Só Deus sabe o porquê) Conan O’Brien e participações de “abacaxis” para usar um termo engraçadinho, como o desnecessário Adam Sandler e o “hilário” Ben Stiller… Que me fizeram sentir saudades de Steve Martin…
Queen Latifah também “abrilhantou” o evento cantando em uma homenagem para Quincy Jones, onde Oprah citou Ray Charles, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, e esqueceu do Michael Jackson, na verdade, ela não se esqueceu, e sim, quem escreveu o texto para ela ler com Whoopi Goldberg, e como se sabe, no Oscar, não se sai do texto, a menos que seja Whoopi Goldberg; porque ela é especial, ou Adrien Brody, que mandou até cortarem a “musiquinha safada” que entrava, dando a deixa para o/a tagarela sair do palco! Brody que deve ter tomado injeção de agulha de vitrola, se empolgou e se esqueceu de como se chega ao ponto final de um discurso.
Entre outras coisas, eu fico pensando como a pessoa pode se emocionar vendo uma atriz no palco, lendo no TP elogios escritos por outra pessoa… A resposta simples é: São atores e atrizes, eles são treinados para se emocionar! Mesmo quando outro ator ou atriz não sabe ler direito o tal do TP…
Senti falta do Billy Crystal, mas (felizmente) ele apareceu com Meg Ryan, que ao contrário de Robin Williams ou Whoopi não soube “bater uma bola” quando Billy ensaiou um improviso…
Bem… Ainda estou aqui. Provocou diversas reações. Que bom! A arte serve para isso! Embora reações de torcida organizada, ou delírios políticos de todos os lados por comentaristas de WhatsApp, o filme foi falado, divulgado e visto por muito mais gente do que se imaginava. Não entendi a campanha toda feita pelo filme. Eu achava que, se o filme fosse bom ou ruim, era o que bastava para ser premiado ou não. Mas, como o achismo é sempre ruim, o que eu achava não tinha nada a ver… Parece que a cultura dos likes, curtidas e compartilhamentos também se faz presente no Oscar.
Porém, toda campanha gera uma expectativa. E nesse caso, no Brasil, virou coisa de torcida organizada, gente xingando pessoas de outros países, Fernanda Torres com todos os seus filmes e séries revividas, e muitos atores que lembraram da amizade com ela, e alguns que foram seus professores, mentores, colegas de escola e que sempre souberam da capacidade dela, que agora, neste momento se lembraram de expressar publicamente isso e até apresentadores com lorotas do tipo, “eu tenho um sexto sentido”, “eu tenho 99,9 por cento de certeza”, “eu acho isso e aquilo”, só faltou o “vai que é suuuua Fernandinha!”
O filme que retrata um momento histórico, quer gostem ou não! Mas ainda assim, alguns tratam com viés político, do falso maniqueísmo, do bem contra o mal e toda essa bobagem que se vem falando de um tempo para cá… O filme representa o Brasil e é isso que importa!
Se a história não agradou, então faça um filme e mostre para essa gente como se faz cinema!
As “Fernandas” estão ótimas no filme. O prêmio de melhor atriz imaginei que fosse ficar entre as três, Fernanda, Cynthia ou Demi, embora, achei que ela – Demi-, deu o máximo de si, mas mesmo assim, não suficiente para um Oscar.
Na minha opinião, Ainda estou aqui e Anora tem personagens femininas fortes, uma real e outra ficcional (mesmo que ela represente milhares de mulheres, o que Eunice também representa, mas o caso aqui é o filme) Fernanda interpreta uma personagem mais “contida” em uma interpretação mais densa de interior para exterior, Mikey faz também uma interpretação densa, porém mais “barulhenta” e isso torna a coisa toda tensa, em uma interpretação do exterior para o interior… Os parâmetros de premiação do Oscar são e continuarão sendo um mistério, para nós: o povão, a massa… Mas se você assistiu Feud, mesmo com todas as licenças poéticas, já deu para se ter uma ideia de como é…
Neste ano, o pior momento da cerimônia talvez tenha sido o Conan O’Brien, que não nasceu para isso, mas assim como muitos atores de Hollywood, tem um ótimo agente! Lembre-se que no passado o Oscar teve birutices como indígena recebendo prêmio no lugar de Marlon Brando, Steven Seagal apresentando, Joan Crawford recebendo a estatueta no lugar de outra atriz, apenas para irritar Bette Davis e ser lembrada como Diva, e não há muito tempo, atores se estapeando no palco. Então, neste ano o problema estava previsível e bem mais fácil de ser resolvido!
Ainda estou aqui, ganhou como Melhor Filme Internacional e isto representa um grande prêmio! E mereceu, porque o filme é maravilhoso! E eu torci (em silêncio) pela Fernanda e pelo filme.
Por JEFFerson Fernandes
