É possível ter benefício fiscal com um plano de previdência privada?

De acordo com o último levantamento da Federação Nacional de Previdência Privada (Fenaprevi), os aportes em planos de previdência privada no Brasil atingiram R$ 112 bilhões entre janeiro e outubro de 2021, volume 15,2% maior se comparado ao mesmo período do ano passado. O resultado demonstra que a construção de uma reserva financeira de longo prazo tem sido uma das alternativas encontradas por investidores para se resguardarem mesmo em momentos de dificuldade econômica.

Previdência Privada

O último mês do ano motiva quem faz a declaração completa do Imposto de Renda a buscar os planos de previdência complementar ou a realizar aportes maiores em dezembro devido à possibilidade do diferimento fiscal de até 12% da renda bruta para a base de cálculo do IR. Porém, é importante ter atenção à data limite para o aporte: 31 de dezembro. E, no caso de quem ainda não possui o plano, observar os prazos operacionais das empresas para não perder a oportunidade.

Para quem se questiona sobre a validade do investimento em um plano de previdência para obter benefício fiscal, a resposta correta é: depende do tipo de plano escolhido e do modelo de declaração do IR. Atualmente, são dois os tipos no mercado: o PGBL e o VGBL.

O Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) é indicado para quem faz a declaração pelo modelo completo, pois é possível deduzir até 12% da renda bruta tributável anual da base de cálculo do IR. Normalmente, este tipo de plano é vantajoso para quem tem um ganho acima de R$ 130 mil por ano.

Benefício fiscal

Há duas formar de obter benefício fiscal via PGBL. A primeira é a dedução de 12% sobre a renda bruta tributável anual da base de cálculo do IR. Como exemplo, se o beneficiário tem um ganho anual de R$ 200 mil e fizer um PGBL, poderá deduzir até R$ 24 mil do IR. Sua base para o cálculo de imposto passa a ser de R$ 176 mil.

Outra maneira de ter benefício fiscal é optar pela tabela regressiva do IR. Nos primeiros dois anos, a parcela de IR é de 35% e cai para 10% caso a pessoa mantenha o plano por 10 anos.

Já o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) é desenhado para quem faz a declaração de IR pelo modelo simplificado, é isento ou deseja aplicar mais de 12% da renda bruta tributável em previdência.

Nos dois modelos, aportes extras são importantes para alavancar a reserva ao longo dos anos Em um planejamento financeiro de 10 anos, com uma taxa de juros real de 3% ao ano, aproximadamente 86% do patrimônio conquistado depois dessa década será composto pelo dinheiro que saiu do bolso do investidor, e apenas 14% é a fatia da rentabilidade. Mas se o período de acumulação aumentar para 35 anos, com a mesma taxa de juros real, o patrimônio ao final será composto de 57% de valores que saíram do bolso e 43% de rendimentos da própria aplicação. Ou seja, o tempo fez o dinheiro trabalhar para o investidor. Por isso, é essencial aproveitar as oportunidades de realizar contribuições extras, como parte do 13º salário, que farão com que o patrimônio de quem contratou um plano de previdência cresça ainda mais.

Julio Vergaças Fernandes, superintendente executivo da Rede SP Metropolitana II do Santander Brasil- Foto:Divulgação

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