Brasil lidera aumento do preço sobre alimentos na pandemia

Brasileiros são os que mais gastam com alimentação durante o período

Os brasileiros são os que mais gastam com comida para abastecer a casa, segundo levantamento realizado pela consultoria Dunnhumby, com quase nove mil pessoas em 22 países. A população brasileira também é a que mais se preocupa com a pesquisa de preços antes das compras e a que decide quais alimentos levar para o lar em função do preço, que tem 80% de influência final. 

O estudo aponta que o Brasil (67%) está à frente de países como Malásia (55%), Irlanda (50%) e Colômbia (49%) na lista de países que mais gastam com comida. Em relação aos preços, 76% dos consumidores afirmam que comprar comida está mais caro, contra 70% na Malásia, 59% na Irlanda e 58% na Colômbia.

Além da preocupação com o valor dos itens, os cidadãos ouvidos pelo levantamento também relataram a inclinação a comprar pela qualidade do produto ou da marca (21%), apesar de 47% afirmarem que preferem pesquisar antes e 43% não terem preferência pela marca à frente do preço.

“Esse efeito de ter menos dinheiro e estar mais caro fez com que os brasileiros pesquisassem mais, e estão pesquisando na internet, pesquisando mais nas lojas. Eles estão dividindo a cesta de compra, procurando o que está mais barato nos lugares possíveis, mas estão com medo de ir às compras”, avalia Rogério Aversa, diretor da Dunnhumby.

Queda na renda e aumento nos gastos

Dados da pesquisa realizada pela Serasa, em parceria com a Opinion Box, revelam que quatro em cada dez brasileiros tiveram queda na renda, enquanto, para metade, os gastos aumentaram. De acordo com o estudo, realizado com 2.059 pessoas, entre 11 e 22 de fevereiro deste ano, 46% dos participantes estavam conseguindo pagar as contas no prazo – 5% a menos do que o registrado em fevereiro de 2020. Enquanto isso, 36% precisaram optar por quitar as dívidas que poderiam ser pagas dentro do prazo, com aumento de 7% em relação ao ano passado. Para 51%, o pagamento das contas dentro do prazo só foi possível depois de cortar as despesas desnecessárias.

Entre os mais afetados estão mulheres e pessoas das classes C, D e E. Para elas, a diminuição na renda atingiu 41%, enquanto 35% dos homens relataram o mesmo. Em relação aos gastos, eles aumentaram para 53% das mulheres e para 47% dos homens. Já nas classes C, D e E a renda diminuiu para 42%, ao mesmo tempo em que caiu 21% nas classes A e B. Estes também são os que mais pagam suas contas em dia, com 67% dos entrevistados afirmando isso, enquanto entre C, D e E o índice é de 41%.

Por conta disso, é mais comum que os pedidos de empréstimo neste período da pandemia aconteçam em maior número entre as classes com menor renda, que precisam quitar dívidas anteriores. Entre os cidadãos com renda maior, os pedidos são considerados para possibilitar vontades, como mudar de casa, cidade ou carro. 

Foto:Divulgação

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