Procura por casas mais amplas cresce 41% durante a quarentena

Com o isolamento social, pessoas preferem morar em locais maiores, com áreas abertas

O isolamento social em decorrência da pandemia do novo coronavírus tem alterado os hábitos de comportamento e consumo dos brasileiros. Durante esse período, a procura por casas maiores e com áreas abertas para compra cresceu 41,6% na cidade de São Paulo, de acordo com um levantamento realizado pela Lello Imóveis, imobiliária com foco na capital paulista.

Segundo a pesquisa, entre abril e maio as buscas por casas a venda no portal da empresa representaram 34% do total de procuras no site, contra 24% no mês de janeiro. Em relação às compras concretizadas, o número de imóveis vendidos já durante a quarentena é equivalente a 31% do total em abril. O número é maior que o dobro registrado no primeiro mês do ano. 

“A quarentena fez com que as pessoas buscassem por casas maiores, com áreas ao ar livre. Diferentemente dos apartamentos em condomínios, nas casas não é preciso ter contato com outras pessoas nos elevadores e halls de áreas comuns”, afirma Igor Freire, diretor de Vendas da Lello Imóveis.

Normalmente, as vendas de casas equivalem a cerca de 20% do total apresentado na venda de todos imóveis residenciais pela imobiliária. Ao mesmo tempo, há prédios e condomínios que proibiram a visitação às unidades disponíveis para a venda ou locação.

Além disso, cerca de 50% das transações realizadas nesse período foram fechadas via assinatura eletrônica, modalidade pela qual os contratos são assinados de forma simples e a distância, seja por smartphone ou tablet.

Mudanças nos imóveis pós-pandemia

A tendência de mudança dos desejos dos consumidores e das vendas vai de encontro às novas necessidades explicitadas na quarentena, como um espaço amplo, silencioso e uma área aberta para a realização de atividades em casa — que eram comuns serem feitas na rua ou escritório. Assim, com o home office, estudo online e maior tempo passado na residência, especialistas acreditam que as pessoas tendem a procurar por casas e apartamentos para alugar ou comprar que possibilitem todos esses itens e que proporcionem, acima de tudo, conforto aos moradores.

Antes, os grandes centros urbanos e metrópoles estavam construindo apartamentos cada vez menores, em prédios com áreas compartilhadas.

Outra demanda específica é sobre espaço para plantas e áreas verdes no imóvel. “Elas querem estar mais perto da natureza, com mais verde”, diz Teresa Mascaro, arquiteta. Deste modo, os locais menores, com cerca de 30 m², devem passar por reformas para tentar acomodar todas as mudanças que, de acordo com os arquitetos, vieram para ficar.

“Muita gente tem falado que os projetos serão modificados para mobiliários mais funcionais”, afirma o arquiteto Eduardo Manzano, especialista na área de hospitalidade e em planejamento de cidades inteligentes.

Foto:Divulgação

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