ONU: é essencial que países mobilizem recursos para proteger povos indígenas na pandemia

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a aplicação deficiente das proteções ambientais durante a crise de COVID-19 trouxe uma crescente invasão dos territórios dos povos indígenas por mineradores e madeireiros ilegais em diversos países.

“Muitos povos indígenas foram vítimas de ameaças e violência, e muitos perderam a vida diante de tais ameaças”, afirmou, em mensagem para o Dia Internacional dos Povos Indígenas, observado no próximo domingo (9).

Segundo ele, é essencial que os países mobilizem os recursos para responder às necessidades dos indígenas, honrar suas contribuições e respeitar seus direitos inalienáveis.Os povos indígenas são os melhores protetores das florestas tropicais. Foto: Mongabay | Daniel Aguilar.

Os povos indígenas são os melhores protetores das florestas tropicais. Foto: Mongabay | Daniel Aguilar.

Em mensagem para o Dia Internacional dos Povos Indígenas, observado no próximo domingo (9), o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a COVID-19 está tendo um impacto devastador em mais de 476 milhões de indígenas em todo o mundo.

“Ao longo da história, os povos indígenas foram dizimados por doenças trazidas de outros lugares, às quais não tinham imunidade”, lembrou.

“É essencial que os países mobilizem os recursos para responder às suas necessidades, honrar suas contribuições e respeitar seus direitos inalienáveis.”

O secretário-geral da ONU lembrou que, mesmo antes da atual pandemia de COVID-19, os povos indígenas já enfrentavam desigualdades arraigadas, estigmatização e discriminação.

O acesso inadequado a cuidados de saúde, água potável e saneamento aumenta sua vulnerabilidade, salientou.

“Os povos indígenas trabalham principalmente em ocupações tradicionais e economias de subsistência ou no setor informal. Todos foram afetados negativamente pela pandemia.”

As mulheres indígenas, que costumam ser as principais fornecedoras de alimentos e nutrição para suas famílias foram particularmente afetadas pelo fechamento de mercados de artesanato, produtos e outros bens, lembrou.

“Também devemos abordar com urgência a situação das crianças indígenas que não têm acesso a oportunidades virtuais de aprendizagem.”

“Em todo o mundo, os povos indígenas têm estado na vanguarda na demanda por ações ambientais e climáticas”, disse.

O secretário-geral da ONU alertou que a aplicação deficiente das proteções ambientais durante a crise trouxe uma crescente invasão dos territórios dos povos indígenas por mineradores e madeireiros ilegais.

“Muitos povos indígenas foram vítimas de ameaças e violência, e muitos perderam a vida diante de tais ameaças.”

Mesmo nesse cenário, Guterres lembrou que os povos indígenas demonstraram extraordinária resiliência.

“As comunidades indígenas com autonomia para administrar suas terras, territórios e recursos garantiram a segurança e o cuidado alimentar por meio de cultivos tradicionais e da medicina tradicional”, disse.

O povo Karen da Tailândia reviveu seu antigo ritual de “Kroh Yee”, ou fechamento de uma vila, para combater a pandemia, contou.

“Tais estratégias foram aplicadas em outros países asiáticos e na América Latina, com as comunidades fechando a entrada em suas áreas.”

“A realização dos direitos dos povos indígenas significa garantir sua inclusão e participação nas estratégias de resposta e recuperação da COVID-19. Os povos indígenas devem ser consultados em todos os esforços para se fortalecer e se recuperar melhor.”

Desde o início da pandemia global, as agências das Nações Unidas vêm trabalhando para defender os direitos dos povos indígenas. A ONU tem ajudado a salvaguardar a saúde e a segurança e a fornecer acesso a proteção social e oportunidades econômicas.

O Sistema das Nações Unidas continua comprometido com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e em reforçar sua resiliência, concluiu o secretário-geral.

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