Maria Fernanda Paes de Barros é escolhida para o Programa Curadoria 365, da SP-Arte

A artista, designer, pesquisadora e fundadora da Yankatu, Maria Fernanda Paes de Barros, está entre os artistas selecionados pela Curadoria 365, uma ação da SP-Arte em parceria com a plataforma Preview. Nesta ação, a SP-Arte convidou curadores contemporâneos para realizarem seleções de obras de arte disponíveis na edição 2021 da feira. 

Estão entre os curadores são Gabriel Pérez-Barreiro, Carollina Lauriano, Raphael Fonseca e Regina Galvão. Maria Fernanda foi selecionada por Regina Galvão, jornalista de design, curadora e palestrante, que elegeu a obra “Onde Quero Deixar meu Reflexo”, apresentada ano passado na Expo Circular Arte na Praça – Sentar Ler Escrever, com curadoria de Marc Pottier.

Maria Fernanda convidou o artista Kulikyrda Mehinako para juntos criarem uma peça inspirada na vivência e experiências (ou emoções, ou algo assim) que ela teve em dezembro de 2019, na aldeia Kaupüna, onde Kulikyrda mora, no Alto Xingu, sul da Amazônia. Misto de banco e obra de arte, a obra acolhe ao mesmo tempo que incomoda e, por meio de um espelho, apresenta a realidade dividida dando a oportunidade do observador repensar seu lugar. A parceria entre os dois artistas envolveu desde a discussão do projeto em toda sua complexidade, à escolha da árvore, seu transporte pela floresta e de lá até São Paulo, além de trabalhos na aldeia Kaupüna e no estúdio da Yankatu, até sua instalação inicial, na Praça Adolpho Bloch.

Maria Fernanda Paes de Barros

Maria Fernanda Paes de Barros- Foto: Divulgação

“Onde Quero Deixar meu Reflexo”

A obra “Onde Quero Deixar meu Reflexo” consiste em duas partes de uma mesma árvore que representam realidades distintas: a natureza queimada pela ação inconsequente do homem e a escultura de tamanduá produzida por Kulikyrda. Os bancos zoomorfos em madeira são alguns dos trabalhos tradicionais de seu povo, onde os artistas da comunidade criam peças em madeira inspirando-se na fauna existente em seu território.

Um espelho colocado entre as partes reflete o usuário sobre o banco. “A posição do sujeito diante da totalidade da obra recortada (como que interrompida) e amparada pelo espelho, dá a oportunidade desse mesmo sujeito pensar que foi dividido diante da cena: Onde eu me encaixo?” Esta provocação estimula uma autoreflexão sobre a nossa responsabilidade com a arte, a cultura, a nossa ancestralidade, nossa origem, tradições e costumes, tentando enxergar além do óbvio e repensar o nosso lugar como ser atuante transformador da realidade.

Curadoria 365 – SP-Arte e Preview

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Yankatu

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