LIBERDADE, LIBERDADE… (O QUE FAZER COM ELA?)

O canal de humor Porta dos Fundos, se meteu em uma polêmica anunciada.

O seu video sobre Jesus Cristo gerou críticas negativas de toda a espécie, da mais polida a mais mal criada com palavrões e afins. Obviamente que o intuito era esse: Causar, como se diz.

Confesso que “por dever de ofício” assisti, para poder escrever algo a respeito.

Chico Anysio, o mestre do humor, tem a célebre frase “Só existem dois tipos de humor: com graça e sem graça!“, o mesmo Chico, em uma entrevista disse “humor que não é denúncia, não é humor é gracinha!“.

O sociólogo Émile Durkheim, disse que o sentimento do sagrado é algo geral presente em todos os períodos históricos em todas as sociedades. Quando se faz humor de um político ladrão, ou de um artista que falou e/ou fez alguma bobagem, ou de algum “famoso” que só é famoso por sua imbecilidade, ou de movimentos exagerados de ali ou de lá, ou de algum traço dissonante da sociedade, entende-se o objetivo daquela piada: se exagera algo para passar uma mensagem. No caso em questão, parece que poucos conseguiram captar essa mensagem, como diria o saudoso Rogério Cardoso, na pele do Rolando Lero…

Tentei entender o intuito do canal com este video. É sobre inclusão de minorias, denúncia de algum malfeito, de preconceito, de alguma fala politicamente incorreta ou alguma outra coisa? Confesso, que não consegui entender o objetivo.

O humor nos Estados Unidos, baseado em grande parte no sarcasmo, é a marca do americano, o Brasil tem o seu (entre as vertentes do humor nordestino, paulista, carioca, etc). Tentar fazer humor com o sagrado aqui no Brasil, como se faz nos Estados Unidos (no máximo resulta em um processo e tudo bem), é pura idiotice!

Brincar com o sagrado, seja ele de qual religião for, não é uma ideia muito inteligente, sobretudo quando o resultado final é sem graça.

Por outro lado, não acredito que Deus, onisciente, onipresente e onipotente, fique chocado com este tipo de piada, até mesmo, pelas características Dele que citei. Já que por elas, Ele deve saber nosso pensamento antes mesmo dele ser pensado. Acreditar que Ele se enfureça por um motivo como esse é trazer Deus ao homem e não o seu inverso, como se diz que é o objetivo. Assim sendo, quem se magoa é o fiel e não Deus. Mas isso não desqualifica o insulto às pessoas que creem e seguem o cristianismo. Embora, só assiste quem quiser. Existem milhões de videos, filmes, novelas e afins que não gosto, e simplesmente não assisto e muitos e muitas que nem sei que existem… Mas este sou eu.

Mas se era para polemizar mesmo, porque não esculhambaram Maomé?

De qualquer maneira, a liberdade que temos de falar e fazer tudo ou quase tudo, definha com essa demonstração clara de pessoas que não sabem muito bem o que fazer com ela.

Mas ser livre não é poder fazer tudo? Sim. Porém, o bom senso e o respeito ao próximo é uma das regras para se viver bem em sociedade, mas também é uma das correntes que Rousseau comenta em sua frase “O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado.” Talvez, Sartre tenha a melhor definição para liberdade: “Ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode“.

Por Jeferson Fernandes

Jeferson Fernandes- Jornalista, radialista e psicanalista em formação