Leitura Flutuante com Jeferson Fernandes : O uso indiscriminado do Coringa

A nova fórmula para se ter atenção na internet:

Falar sobre o Coringa de Joaquim Phoenix! Todos querem falar sobre o filme, teorizar sobre o personagem, o método do ator, a nova direção da DC Comics, as escolhas do diretor, tudo para no fim: Ser visto! Pérolas, teorias e tratados como:

É esquizofrenia, é síndrome de pseudobulbar, é TDAH…”

Joaquim usa o método Stanislavski; não, é Meisner; na verdade,  ele é Brechtiano!!!

A DC Comics se distanciou da Marvel; a DC quer encostar na Marvel; a DC vai linkar esse filme com o novo Batman, esse filme não tem nada a ver com o universo do Batman…”

E claro, a definição que mais gostei:

Coringa é esquerdista!

Mas também é chamado pelos pensadores internéticos de fascista e/ou anarquista!

Outros dizem:

Esse Todd Phillips imita o Tim Burton; ou esse Todd Phillips é inovador; e tem também os que dizem: “esse diretor é mais do mesmo!

Diversas teorias e mais um monte de bobagens, de blá blá blá de “especialistas” da Internet, no Youtube, no Facebook, e afins, que só querem APARECER. Eles que intitulam seus videos e textos com o nome Coringa, para chamar a atenção do incauto. Exatamente o que fiz aqui neste texto e que curiosamente não falo do filme e sim, dos aproveitadores de plantão. Não se pode deixar de mencionar as críticas de profissionais do assunto que são importantes para quem é e gosta do ramo. Isso é outra coisa!

Essa necessidade em ser visto é uma característica do ser humano que se potencializou com o fenômeno da Internet. Esse tipo de pessoa, que pode ser introvertido na “vida real” e extrovertido na internet é, normalmente, além de supersensível, um carente, que precisa de proteção e um maior acolhimento das pessoas que o cerca. Para ele, ser no mundo, significa ser extravagante no seu modo de se vestir, falar alto, falar mais que todo mundo, e no caso aqui, embora (algumas vezes) calado na vida real, ser um falastrão, um bobo alegre ou mesmo um bocó que fala as mais variadas asneiras na Internet, porque para esse tipo de pessoa, ser notado – até negativamente – é melhor que ser transparente.

Bob Marley nos disse “Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida.” E que falta fará alguém que fala, fala e fala, mas não diz nada?

Por fim, passando o fenômeno Coringa, é possível que se volte ao normal, ou seja, falar da esquerda e da direita, da TV A e TV B, e assim por diante, sempre para se manter visto, porque é importante ser importante.

Por Jeferson Fernandes

Jeferson Fernandes- Jornalista, radialista e psicanalista em formação