Conheça os trabalhadores humanitários do ACNUR: heróis da vida real

No Dia Mundial Humanitário, celebrado em 19 de agosto, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) se orgulha e celebra os 16.000 trabalhadores que estão na linha de frente de emergências humanitárias em todo o mundo.

São 16.000 pessoas comprometidas todos os dias em proteger, ajudar e contar histórias de refugiados. Conheça alguns dos heróis e heroínas da vida real, que estão na linha de frente das ações do ACNUR no Brasil e no mundo.

Garota Rohingya com funcionária do ACNUR em um centro de nutrição em Bangladesh. Foto: Kamrul Hasan/ACNUR

Dia Mundial Humanitário

O Dia Mundial Humanitário é celebrado em 19 de agosto. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) é formado por 16.000 trabalhadores humanitários. São 16.000 pessoas comprometidas todos os dias em proteger, ajudar e contar histórias de refugiados.

A data foi criada em memória aos trabalhadores humanitários vítimas de um atentado à sede da ONU no Iraque, em 2003. O brasileiro Sergio Vieira de Mello foi uma das vítimas. Na época, ele atuava como Representante Especial do Secretário Geral da ONU no Iraque.

ACNUR

Em seus anos de trabalho no ACNUR, Sergio dedicou sua vida para ajudar pessoas que fugiam de guerras e conflitos em diversos países, como Bangladesh, Sudão, Líbano, Moçambique e Camboja. Sua memória e seu legado permanecem cultivando esperança em todos que fazem de suas vidas uma missão de paz, tolerância e cooperação, em busca de um futuro mais justo para todos.

Veja também: Conheça Sérgio Vieira de Mello e sua trajetória no trabalho humanitário

O ano de 2019 foi o mais perigoso para os trabalhadores humanitários até o momento: 483 trabalhadores humanitários foram atacados, 125 mortos, 234 feridos e 124 sequestrados, em um total de 277 incidentes separados.

Mais do que nunca, o ACNUR se orgulha e celebra os trabalhadores que seguem na linha de frente de emergências humanitárias em todo o mundo.

Conheça alguns dos heróis e heroínas da vida real – os trabalhadores humanitários – que estão na linha de frente das ações do ACNUR no Brasil e no mundo:

Catalina Sampaio — Oficial de Campo em Manaus, Amazonas

Catalina no Abrigo Nova Canaã. Foto: Flávia Faria (ACNUR)

“Grande parte da minha família foi refugiada por motivos de perseguição política na América do Sul. A experiência vivida por eles é a minha maior inspiração para trabalhar na área humanitária, sobretudo na área do refúgio. Para mim é muito importante poder proporcionar proteção para as pessoas que estão em uma jornada parecida a essa que marcou a minha família.

É extremamente gratificante quando percebemos que as pessoas que encontramos em extrema vulnerabilidade conseguiram se reestabelecer, foi o caso da situação do aumento do fluxo de venezuelanos em Boa Vista. Quando conseguimos encaminhar as pessoas que viviam na praça Simon Bolívar de forma segura para o novo abrigo, Oferecer proteção para tantas pessoas de uma só vez foi muito gratificante. Mas é muito desafiador quando não conseguimos atender, de maneira individual, todos os casos que chegam até nós. Sabemos que dentro de uma emergência, tudo é urgente. Entretanto, a parte mais difícil do trabalho é identificar e priorizar as urgências. A pior é quando temos que dizer ‘ainda não’.”

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Allana Ferreira — Assistente Sênior de Informação Pública em Boa Vista, Roraima

Allana Ferreira, assistente de informação pública do ACNUR, em abrigo temporário em Pacaraima, no norte do Brasil, em julho de 2019. Foto: Acervo Pessoal

“A minha experiência como trabalhadora humanitária começou em 2013, no Líbano. O país vizinho, Síria, estava em conflito. Nessa época, entendi que os efeitos da guerra não conhecem fronteiras. Comecei cobrindo ações humanitárias com refugiados sírios, iraquianos e palestinos no Líbano. Depois disso, atuei em projetos de atendimentos a refugiados e deslocados no Iraque.

Hoje trabalho no ACNUR em Boa Vista onde prestamos suporte às muitas famílias que chegam em busca de proteção. A minha motivação a continuar trabalhando pela causa do refúgio é saber que por trás dos números, que muitas vezes assustam, existem histórias a serem contadas. O ACNUR tem desempenhado, através das doações de pessoas como você, um papel fundamental na emergência humanitária no norte do Brasil, que se agravou ainda mais com a chegada do novo coronavírus”.

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Livia das Neves — Brasileira que trabalha no Iraque como Oficial de Proteção do ACNUR

Livia das Neves durante visita de campo com ACNUR. Foto: Arquivo Pessoal

“Aos 21 anos, eu estava em um trabalho que não achava gratificante. Anos mais tarde tive a oportunidade de fazer um estágio no ACNUR e, desde então, soube que queria trabalhar no setor humanitário. No ACNUR me sinto uma pessoa privilegiada por poder usar o meu trabalho em prol da proteção e assistência de pessoas que foram obrigadas a fugir de suas casas.

O meu trabalho me proporciona momentos que me dão a motivação para continuar. Os melhores são aqueles em que vejo refugiados alcançarem grandes conquistas, apesar de todos os desafios que encontram. Mas já vivi dias muito difíceis. Uma vez me deparei com o caso de uma refugiada que chegou ao campo onde eu trabalhava em um estado de saúde muito delicado após ter sobrevivido à violência sexual e tortura”.

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Hugo Reichenberger — Brasileiro que trabalha na Ucrânia como Oficial de Relações Externas do ACNUR

Hugo em visita a famílias em Donetsk, Ucrânia. Foto: Arquivo pessoal

“Trabalho no ACNUR há mais de dez anos, mas ainda me emociono quando vejo o impacto do nosso trabalho na vida das pessoas. Já atuei no Brasil, Argélia, Burkina Faso, República Centro Africana, Chade, Mianmar, e na Suíça. Agora estou na Ucrânia, onde muitas pessoas vivem no meio da guerra e ouvem diariamente sons de morteiros, bombas e tiros.

Desde pequeno eu sonhava em ser diplomata, mas tudo mudou em 2004, quando surgiu a oportunidade de atuar numa ONG de proteção aos direitos das crianças e adolescentes. Foi assim que me apaixonei pelo trabalho de direitos humanos e como ele pode transformar e empoderar pessoas que mais precisam”.

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Shayla Nascimento — Assistente de Campo em Boa Vista, Roraima

Casamento coletivo no abrigo para refugiados Rodon 2 em Boa Vista, Roraima. Foto: Reynesson Damasceno/ACNUR

“Quando decidi que queria ser trabalhadora humanitária, acreditava ser algo muito distante, até que vi acontecer na minha cidade. Virei intérprete, e ajudava as pessoas a preencherem suas solicitações de refúgio. Com a interiorização, tenho o privilégio de estar presente em muitos momentos de felicidade para as famílias. Situações que parecem simples para a maioria das pessoas, como saber que eles conseguiram emprego, que os casais LGBTI puderam oficializar sua união e que as crianças estão estudando depois de tanto tempo é muito gratificante pra mim.

Mas faz parte do trabalho vivenciar momentos difíceis, pois estamos em uma situação de emergência. Dentre eles, lembro dos meus primeiros meses como assistente de campo em um momento muito crítico. O número de pessoas em situação de rua aumentava e chovia muito todos os dias em Boa Vista, parte da cidade ficava alagada. Nesse dia, não consegui ajudar uma senhora idosa visivelmente debilitada que relatou ter caminhado por muitos dias para chegar até Boa Vista e estava vivendo nas ruas. Não havia vagas em nenhum dos abrigos da cidade. Um dia, a reencontrei, ela me reconheceu e disse que estava agradecida ao ACNUR por ter conseguido sair das ruas e poder buscar melhorias para sua família. Esse está dentre um dos melhores dias de trabalho desde que comecei no ACNUR”.

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Mesmo diante de desafios sem precedentes, trabalhadores humanitários seguem na linha de frente de emergências em todo o mundo. Todos os dias, eles dedicam suas vidas à proteção de quem mais precisa.

Para apoiar os esforços dos trabalhadores humanitários no Brasil e no mundo, faça uma doação agora mesmo!

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