Como as grifes tentam combater o comércio pirata de seus produtos?

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2013 o mercado de piratarias mundial movimentou mais de 460 bilhões de dólares. A quantidade nada irrisória foi o equivalente a 2,5% de todo comércio daquele ano. Ainda segundo a OCDE, a China é o país em que a maior parte destes produtos é feita.

E se engana quem pensa que apenas os produtos de grife são pirateados. É claro que bolsas, relógios, camisetas são peças muito visadas e de fácil escoamento no comércio ilegal. Mas são muitos os produtos falsificados: alimentos, perfumes e cosméticos, eletroeletrônicos e até remédios também são alvo das cópias do mercado pirata.

Como os países de origem dos produtos não são facilmente rastreados, é difícil punir os responsáveis. O mesmo acontece com a distribuição, já que as peças e artigos falsificados são facilmente pulverizados no mercado ilegal, fica difícil punir os distribuidores e compradores.

Quando o assunto é falsificação de artigos de luxo, como bolsas, camisas, sapatos e joias o quadro fica ainda mais complexo porque, além das falsificações baratas, existe ainda o mercado de “réplicas”.

Mercado de produtos falsificados

É um pouco difícil de estabelecer distinções entre o mercado de produtos falsificados e o de réplicas, isto porque, em síntese, ambos produzem peças não-autorizadas pelas empresas detentoras das marcas. Ou seja, em essência, ambos fazem parte do mercado de produtos falsos.

No entanto, o mercado de piratarias não tem tanta preocupação em imitar, com perfeição, os detalhes das grifes. Aliás, por muitas vezes, eles criam produtos novos, redesenhando, por exemplo, estampas e mesmo os logos das marcas.

De forma geral, podemos dizer que o mercado de produtos falsos é mais facilmente reconhecível. Se a pessoa tiver um pouco de conhecimento sobre os designs da marca, ela acaba percebendo a imitação logo de cara.

Mercado de réplicas

Já o mercado de réplicas é mais complexo do que o da simples pirataria, isso porque o objetivo é imitar com perfeição os produtos de grife. Logos, costuras, detalhes em metal: é tudo meticulosamente copiado. Por isso usa-se a palavra “réplica” ao invés de mera cópia pirata.

Um dos mercados mais fortes é o de bolsas de grife. Marcas famosas e caras como Chanel e Hermès são alguns dos alvos frequentes e as suas réplicas podem ser bem caras, algumas chegam a ter várias casas decimais.

É válido notar ainda que por serem mais caras essas réplicas são consumidas, muitas vezes, por pessoas com bom poder aquisitivo que muito provavelmente conseguiriam pagar o valor de uma bolsa original.

O que as grifes fazem?

Alguns especialistas na temática afirmam que as grifes acabam perdendo muito dinheiro para o mercado pirata, principalmente porque não mensuram corretamente as ações necessárias para combatê-lo. Ou seja, as grifes minimizam o poder do mercado pirata e acabam perdendo grandes quantias de dinheiro.

Algumas marcas valiosas, no entanto, têm tentado mudar este cenário. Para isso, criam alguns mecanismos para tentar acabar com o mercado de pirataria.

Criação de comitês especiais 

Uma das medidas que as marcas têm tomado é criar comitês próprios para investigar a pirataria que envolve as suas empresas. Os funcionários investigam, por exemplo, como são feitas a produção e a distribuição dos produtos e, muitas vezes, tentam acompanhar o processo de venda. 

Quando descobrem pontos de distribuição ou repasse, os funcionários acabam acionando as polícias – inclusive as internacionais – para que elas resolvam a querela.  

Queima de produtos

Acredite: muitas marcas colocam fogo nos próprios produtos que não foram vendidos para evitar que eles caiam nas mãos de mercadores piratas. Em 2018, a grife Burberry anunciou que queimaria cerca de 140 milhões de reais em produtos, justamente para que os produtos não caíssem no mercado pirata.

Embora seja uma medida extrema, a grife avaliou que o prejuízo seria menor do que se as peças de roupas “caíssem nas mãos erradas”.

Apelam para questões legais

As grifes também apelam para as questões legais, ou seja, elas tentam pressionar os possíveis compradores, produtores ou distribuidores com relação aos imensos processos criminais que podem enfrentar.

Além de envolver questões como o direito autoral das marcas, muitos dos produtores de falsificados também burlam leis trabalhistas o que dá ainda mais robustez para os possíveis processos que as grifes podem mover.