Volkswagen vê recuperação lenta no Brasil

Pablo Di Si avalia que será necessário usar por mais tempo medidas de flexibilização do trabalho

Apesar de obter desempenho pouco melhor do que a média do mercado nos últimos meses, a situação da Volkswagen também requer cuidados diante da queda abrupta da produção trazida pela pandemia de coronavírus desde março passado, seja por causa das restrições de operação para obedecer medidas de isolamento social, seja por causa da pesada crise econômica que acompanha a Covid-19. Pablo Di Si, presidente da companhia na América Latina, ressalta que todas as fábricas do grupo na região (duas na Argentina e quatro no Brasil) já voltaram a operar, mas o ritmo ainda é muito lento.

“Ao contrário do que aconteceu na China e nos Estados Unidos, aqui a recuperação do mercado não será em ‘V’. Por isso vamos precisar por mais tempo de todas as medidas de flexibilização de trabalho, que já estamos usando, mas vamos precisar estender pelo resto do ano e talvez até em 2021”, avalia Pablo Di Si.

Pablo Di Si

O executivo adiantou alguns números que mostram o desempenho do mercado este mês. Segundo ele, até a quarta-feira, 25, as vendas de veículos em junho mostravam queda de 37% em relação ao mesmo mês de 2019, enquanto a Volkswagen caia menos, 31%. Já no acumulado de janeiro até esta última semana do primeiro semestre, a retração é de 38%, contra 34% da VW.

“Estamos caindo menos, significa que ganhamos participação. Voltamos a produzir em todas as fábricas, mas mesmo assim precisamos reduzir o ritmo de produção e flexibilizar a jornada de trabalho dos empregados que voltaram este mês”, afirma Di Si.

Volkswagen


Das fábricas brasileiras, ele informa que a única que trabalha em dois turnos é São José dos Pinhais (PR), onde é produzido o T-Cross, que vem apresentando bom resultado de vendas, liderando o mercado de SUVs este mês. Nas plantas paulistas, em Taubaté (Up!, Voyage e Gol) e São Bernardo do Campo (Polo, Virtus, Saveiro e o Nivus desde o começo de junho) a operação é de só um turno no regresso após a quarentena, enquanto a unidade de motores em São Carlos opera parcialmente em um turno em algumas áreas e dois em outras (principalmente para atender contratos de exportação).

Nivus

Com a entrada em produção do Nivus, que começou a ser vendido esta semana e deverá ser distribuído às concessionárias no País até agosto, a expectativa é que a novidade possa aumentar o ritmo na planta Anchieta. “Estamos prontos a atender a demanda pelo carro rapidamente e sem problemas”, afirma Di Si.

Por PEDRO KUTNEY, AB

Volkswagen
Volkswagen começou a produzir o Nivus este mês em São Bernardo: operação em ritmo lento

Fonte:AUTOMOTIVE BUSINESS

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