Vale do paraíba recebe operação para controle de morcegos hematófagos

Técnicos da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, especialistas em captura de morcegos hematófagos, estarão na região do Vale do Paraíba na próxima semana para efetuar uma operação de controle sanitário em propriedades afetadas com a infestação desses animais. Os atendimentos ocorrerão nos dias 9, 10 e 11 de março.

Morcegos hematófagos

A ação visa coibir o risco de contágio da raiva, doença que pode ser transmitida em animais durante o ataque dessa espécie. Somente entre 2014 e 2019, o estado de São Paulo registrou mais de 800 casos positivos de raiva em herbívoros (bovinos, bubalinos, equinos, caprinos e ovinos), transmitida pelo morcego hematófago (que se alimenta de sangue).

Os produtores rurais que identificarem a presença de morcegos hematófagos em sua propriedade, podem solicitar o atendimento, enviando um e-mail para eda.guara@sp.gov.br, informando: nome, endereço e telefone para contato.

Atenção: o trabalho será específico para morcegos hematófagos, da espécie Desmodus rotundus e não abrange as demais espécies silvestres que são inofensivas para pessoas e outros animais. A ação tem apoio da Associação Agropecuária e Sindicato Rural de Guaratinguetá.

Raiva

Atualmente existem cerca de 1.400 espécies de morcegos espalhadas pelo mundo. O Brasil abriga cerca de duas centenas de espécies desses mamíferos. Aqui são encontrados os frugívoros (se alimentam de frutos), os nectarívoros (de néctar), os insetívoros (de insetos), os piscívoros (de peixes), os onívoros (de pólen, frutas e insetos), os carnívoros (de pequenos vertebrados) e os hematófagos, que são os chamados “morcegos-vampiros”, por se alimentarem de sangue.

Das três espécies de morcegos hematófagos, o Desmodus rotundus, é o que merece atenção e controle para Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo por causar enormes prejuízos à atividade agropecuária, levando a morte dos animais atacados, que não são vacinados. A transmissão da raiva ocorre por meio do contato da saliva do morcego contaminado quando ele morde o animal. Embora os morcegos tenham preferência em atacar rebanhos bovinos e cavalos, assim como animais domésticos, a raiva transmitida por eles é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida ao homem. Tanto nos animais como nos humanos, a taxa de letalidade da raiva é de 100%.

A orientação do médico-veterinário Guilherme Shin Iwamoto Haga da Secretaria, que junto à Coordenadoria de Defesa Agropecuária responde pelo Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros, o produtor precisa verificar sempre a existência de colônias de morcegos hematófagos na sua propriedade. Em áreas rurais eles têm o hábito de se abrigar em fendas, cavernas, árvores, bueiros e construções abandonadas, mas podem, muito raramente, serem encontrados nas áreas urbanas. “Se encontrar fezes com aspecto escuro, quase preto, brilhante e com odor muito forte pode ser indicativo da presença de hematófagos”, diz.

O criador deve observar se os seus animais foram agredidos por morcegos e conhecer os sintomas causados pela doença. “Os animais podem se afastar do rebanho, andar desorientado, apresentar salivação intensa, paralisia de membros, não conseguir se levantar”, explica o veterinário. Se alguma dessas situações ocorrerem, a orientação é vacinar o rebanho contra a raiva e notificar imediatamente a Defesa Agropecuária. Na área urbana o ataque de morcegos deve ser notificado à Vigilância Sanitária do município.

É importante não manipular qualquer tipo de morcego ou destruir seu abrigo, porque todos os morcegos podem carregar o vírus da raiva.

O controle da raiva dos herbívoros é feito por equipes especializadas da Coordenadoria de Defesa Agropecuária que realizam a captura de alguns hematófagos faz a aplicação de uma pasta vampiricida e os hematófagos são soltos para retornarem a seus abrigos, promovendo a redução do número de indivíduos, mas protegendo a espécie.

Fonte: https://www.defesa.agricultura.sp.gov.br/noticias/2020/controle-da-raiva-dos-herbivoros-exige-atencao-do-produtor-e-acao-de-equipes-especializadas-da-secretaria-de-agricultura,1366.html

Foto: Uwe Schmidt
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