Universidade deposita patente com sistema que faz análise “personalizada” em tempo real de equipamento elétricos

O projeto que possibilita a análise de desempenho de máquinas elétricas, prevendo falhas, evitando panes e indicando reparos

PUC-Campinas

A PUC-Campinas está depositando uma segunda patente no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) a partir de um projeto desenvolvido e defendido como dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica. O projeto que possibilita a análise de desempenho de máquinas elétricas, prevendo falhas, evitando panes e indicando reparos necessários, foi desenvolvido por Lucas Baraldi Mausbach com orientação do professor Frank Herman Behrens.

INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial)

Na dissertação “Método para monitoramento de motores de corrente contínua integrados a redes de IoT”, o conceito de Internet das Coisas foi aplicado a um equipamento elétrico de corrente contínua e, a partir de sensores, foram coletados dados de corrente elétrica consumida e velocidade de rotação considerando variações da tensão de alimentação, carga e temperatura.

O equipamento foi submetido a uma série de condições para que os sensores detectassem as variáveis monitoradas, com o objetivo de analisar o estado de operação do equipamento, classificando-o como “saudável” ou “não saudável”.

O sistema pode enviar esses dados remotamente, para computadores e smartphones, por exemplo, reportando comportamentos incomuns, eventuais desgastes ou falhas, e até mesmo tendo a autonomia de desligar o equipamento automaticamente protegendo a integridade do sistema ao qual está aplicado.

Também foram desenvolvidos modelos matemáticos a partir dos dados coletados, para criar padrões que indicassem variações fora da normalidade e possibilidade de falha ou quebra no equipamento.

É possível aplicar esse conceito a qualquer tipo de equipamento elétrico e os dados coletados também podem variar de acordo com a necessidade, instalando sensores com diversas funções. A partir dos dados, também é possível criar novos modelos que indiquem as variações e ações necessárias para preservar o equipamento e aumentar sua vida útil.

Com isso, é possível “personalizar” a análise dessas máquinas a partir do sistema desenvolvido. “O mesmo tipo de equipamento pode ter performances e comportamentos diferentes dependendo do local em que está instalado, da temperatura ambiente da região, da forma como é utilizado”, diz o orientador Frank.

O sistema possibilita que uma empresa possa receber informações de cada máquina, sabendo se ela está precisando de reparos, se está com risco de quebra e até calcular quanto tempo ainda pode ser mantida a sua utilização de forma segura. “É possível, dessa maneira, programar a manutenção do equipamento sem prejudicar ou afetar minimamente a produção. Também pode-se evitar a troca prematura de peças utilizando-as até o limite de sua vida útil”, diz o professor.

Lucas disse que sua motivação para desenvolver o sistema veio de necessidades que via no trabalho. “Pensei principalmente na Internet das Coisas e sensoriamento de máquinas, manutenção preventiva. É algo que se fala muito, mas quando se chega na realidade no caso das máquinas elétricas não há muita coisa. Geralmente, a Internet das Coisas é mais aplicada em peças estáticas, há pouca coisa para objetos em movimento, como máquinas elétricas. E o método que desenvolvemos é genérico, que pode ser adaptado para qualquer tipo de máquinas elétricas”, disse.

Fotos :Divulgação