Três sindicatos pedem reunião com Michel Temer para cobrar veto à venda da Embraer

Os sindicatos dos metalúrgicos de São José dos Campos, Botucatu e Araraquara (região de Gavião Peixoto) enviaram ao presidente Michel Temer, nesta sexta-feira (6), pedido de reunião para colocar em discussão a formação da joint venture entre Embraer e Boeing. Os sindicatos representam os metalúrgicos das três unidades da Embraer.

Na carta, as entidades sindicais afirmam que é de responsabilidade do Governo Federal agir em benefício da Nação e vetar o processo de venda. Também apontam a necessidade de preservar a Embraer em sua íntegra.

“Como maior exportadora de produtos de tecnologia do nosso País, a Embraer tem de ser preservada em sua íntegra. Hoje, a empresa domina todas as etapas para a construção de uma aeronave. Ao ser vendida, será fatiada e enfraquecida”, diz um trecho da carta.

Também foram enviados pedidos de reunião para os presidentes da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira.

“O poder público não pode se omitir num momento como este. É obrigação do presidente da República defender os interesses do nosso País, e não do mercado. A Embraer já foi saqueada uma vez, quando ocorreu a privatização. Não podemos permitir que se repita esse crime de lesa-pátria. Vamos cobrar o governo federal para que a entrega da Embraer seja vetada”, afirma o diretor do Sindicato, Herbert Claros.

 

Íntegra da carta:

 

Diante do anúncio de acordo entre Embraer e Boeing, é de extrema urgência que o assunto seja colocado em debate pelo poder público. A formação da joint venture entre as duas empresas trará, inegavelmente, consequências negativas para o país e para os trabalhadores brasileiros.

A Embraer responde por mais de 80% das receitas do conjunto de empresas do setor aeroespacial brasileiro. Se sua venda for concretizada, o país perderá também as empresas que orbitam em seu entorno. Quebra-se o elo de toda a cadeia aeronáutica.

Como maior exportadora de produtos de tecnologia do nosso País, a Embraer tem de ser preservada em sua íntegra. Hoje, a empresa domina todas as etapas para a construção de uma aeronave. Ao ser vendida, será fatiada e enfraquecida.

Também será colocada em risco a soberania no setor de Defesa, que depende diretamente do setor comercial – a ser controlado pela Boeing. A Embraer é responsável pelo desenvolvimento de programas militares para a Força Aérea Brasileira e sistemas de satélites brasileiros. O enfraquecimento do setor será inevitável.

É de responsabilidade do Governo Federal agir em benefício da Nação, usando seu poder de veto ao processo de venda.

Em nome dos trabalhadores da Embraer, solicitamos o agendamento de reunião em caráter de urgência com V. Exa. para colocarmos o fato em discussão.

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