Setor público e privado se unem para debater soluções para navegação hidroviária

Soluções e projetos para a navegação hidroviária brasileira foram debatidos durante evento promovido pela Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), na última quarta-feira (27/6). Na ocasião, foram destacados resultados e perspectivas para o andamento das obras referentes aos derrocamentos dos pedrais do Lourenço (PA) e de Nova Avanhandava (SP), à dragagem do Rio Madeira e à hidrovia do Porto de Santos.

 

A diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Luciana Guerise, informou que muitos de seus associados utilizam esse tipo de transporte, principalmente para o escoamento da produção agrícola. “Somos entusiastas da navegação em hidrovias e sabemos dos gargalos e melhorias que são necessárias. Por isso, somos parceiros da Antaq e do Ministério dos Transportes para que essas iniciativas não sejam apenas discutidas, mas que possam ser efetivamente implementadas”, afirmou a diretora da ATP.

 

Durante o evento, foi destacado que as obras e serviços de manutenção nas hidrovias são fundamentais para garantir o fluxo logístico e o aumento da movimentação de cargas. A dragagem do Rio Madeira, por exemplo, permitiu um crescimento no volume de mercadorias transportadas que passou de 6 milhões de toneladas por ano para 20 milhões de toneladas/ano.

 

Para o diretor-geral da Antaq, Mario Povia, a troca de informações sobre as ações em andamento pelo País é fundamental para o alinhamento do planejamento na área de navegação. Na avaliação do diretor da Agência, Adalberto Tokarski, a proposta do encontro teve como objetivo nivelar as informações sobre o setor por meio de um debate entre agentes públicos e privados para que todos contribuíssem para o melhor uso e aproveitamento das hidrovias brasileiras.

 

Segundo o diretor-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Alex Oliva, depois de 12 anos de discussão, projeto da Hidrovia do Porto de Santos saiu do papel. “A infraestrutura está pronta. Agora, está na mão dos empresários”, garantiu. Para o presidente do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, a navegação hidroviária precisa de mais atenção e recursos do governo. “O maior ‘calo’ do setor hidroviário é a falta de investimentos. Precisamos garantir mais recursos até 2020”, assinalou.

 

Confira abaixo o andamento das ações voltadas às hidrovias:

 

Derrocamento do Pedral do Lourenço– o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) está em fase final e deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nas próximas semanas. A expectativa é que o prazo para análise e solicitação de ajustes dure cerca de seis meses. Logo após, ocorre a fase das audiências públicas. A previsão é que a licença de instalação, que autoriza o início das obras, seja expedida no final de 2019. As obras devem começar em março de 2020.

 

Derrocamento do Pedral de Nova Avanhandava– executado por meio de parceria entre o governo federal e o Estado de São Paulo. As obras tiveram início em fevereiro de 2017 e a primeira detonação ocorreu em agosto do ano passado. A obra está estimada em R$ 188 milhões e prevê dois trechos de derrocamento: subaquático e a seco. Os recursos investidos são 100% do governo federal e a gestão é estadual.

 

Dragagem do Rio Madeira– Tem contrato de cinco anos para a realização periódica do serviço. As empresas contratadas estão realizando rotina de estudos e levantamentos batimétricos semanais para monitorar o fundo do rio e avaliar a quantidade de segmentos a serem dragados. O Rio Madeira é considerado um desafio para os técnicos por ser dinâmico e não ter um volume estático. Exemplo disso é a formação crescente de bancos de areia que se movem e obstruem o canal. A expectativa é dragar nove locais já mapeados.

 

Hidrovia do Porto de Santos– projeto que está em discussão há 12 anos e agora apresenta avanços. Os estudos de batimetria custaram cerca de R$ 55 mil e viabilizaram a infraestrutura necessária para a navegação. O projeto prevê a utilização de rios e canais de navegação da região para o transporte de cargas entre pontos do cais e entre o complexo e a área retroportuária. A Codesp divulgou, em março último, o regramento operacional do serviço. As empresas interessadas em explorar comercialmente a hidrovia, durante cinco anos, podem se cadastrar junto à estatal.

Foto:CNTTL
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