SescTV estreia o documentário premiado Hotxuá – o Palhaço Sagrado, o Riso da Terra, dirigido por Letícia Sabatella e Gringo Cardia

SescTV reservou espaço em sua grade de programação, nos meses de abril e maio, para levar ao ar filmes premiados com o tema Territórios Indígenas, que contemplam diferentes etnias indígenas em diversas regiões do país. Com a exibição dessas produções, o canal participa do projeto Abril Indígena realizado pelo Sesc São Paulo em suas unidades. Inédito no canal, o documentário Hotxuá – o Palhaço Sagrado, o Riso da Terra, diririgo pela atriz Letícia Sabatella e pelo artista plástico e cenógrafo Gringo Carcia, inicia as apresentações no dia 5 de abril, sexta, às 23h. (Assista também emsesctv.org.br/aovivo.)

Para abril, ainda está prevista a exibição do documentário Baré – Povo do Rio (SP, 2014, 63min.), de Tatiana Toffoli, que compõe o acervo do canal, e dos inéditos Diriti de Bdè Buré (GO, 2018, 18m.), com direção de Silvana Beline; A Nação que não Esperou por Deus (MS, 2015, 90 min.), de Lúcia Murat e Rodrigo Hinrinchsen; e As Hiper Mulheres (MT, 2011, 80 min.), de Carlos Fausto e Leonardo Sette.
Hotxuá – o Palhaço Sagrado, o Riso da Terra (TO, 2009, 70 min.) – vencedor do Prêmio do Júri Popular no Festival de Cuiabá e do troféu Mapinguari no FestCine Amazônia, ambos em 2009 – destaca os índios que vivem na aldeia Krahô, no estado do Tocantins, onde preservam a maior área de cerrado do Brasil. Conhecidos por serem alegres, esse povo tem o palhaço Hotxuá como o responsável por fazê-los rir. A produção registra o dia a dia da tribo, sua cultura e preocupação com o meio ambiente, além de mostrar o seu mais importante evento, a Festa da Batata.
Reza a história contada pelos indígenas, que o palhaço Hotxuá surgiu da terra, de elementos agrícolas como batata e abóbora. Seus movimentos imitam aos das plantas quando são embaladas pelo vento. Caçador e guerreiro, só faz o bem e tem a função de levar alegria a todos de sua aldeia e uni-los, mesmo em momentos difíceis. Cuidar da mata e da terra, indicar onde é o melhor lugar para se plantar, também é papel desse personagem que se assemelha a um bobo da corte e é tido, pelos Krahô, como sagrado. Depoimentos expõem que nem todos podem ser um Hotxuá, é preciso herdar o nome quando nascem e, ainda crianças, já começam a ser preparados para executarem a função.
Com uma cultura rica em rituais, música, dança e brincadeiras, o povo Krahô se reúne com pessoas de outras aldeias para promover seu principal evento: a Festa da Tora da Batata, na qual é realizada uma corrida com toras. Na cerimônia, os participantes são divididos em dois grupos, e alguns deles correm carregando nas costas um pedaço grande e pesado de tronco de árvore, que revezam durante o trajeto. O evento é realizado para comemorar o início da época do plantio.
Apesar do sorriso sempre estampado do rosto, os Krahô trazem consigo uma preocupação: resguardar o habitat em que vive. “A terra onde estamos ainda é bastante preservada, mas ao redor da reserva a terra foi desmatada para o plantio de soja. Não quero que acabe aqui onde estamos”, fala um deles.
O documentário Hotxuá, o Palhaço Sagrado, o Riso da Terra também revela que os Krahô não escondem o medo que sentem dos cupèns (como eles chamam o homem branco) construírem em suas terras uma usina como a Hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, que utiliza as águas do Rio Tocantins. “Se fizerem a barragem vai alagar tudo. Como é que vamos plantar? Não teremos mais caça. Vão acabar com a gente. Vai alagar até terra de cupiéntambém”, comenta uma das moradoras da aldeia, que diz estar angustiada com o futuro dos seus netos e que não aceita e nem quer a barragem.
Sobre o SescTV:
SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua grade de programação é permeada por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com grandes nomes da música e da dança. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras artes também estão presentes na programação.
Documentário
Hotxuá – O Palhaço Sagrado, o Riso da Terra (TO, 2009, 70 min.)
Estreia: 5/4, sexta, às 23h.
Reapresentações: 7/4, domingo, às 16h; 9/4, terça, à 1h; e 10/4, quarta, às 24h.
Direção: Letícia Sabatella e Gringo Cardia.
Classificação indicativa: Livre.
Ainda em abril:
Baré – Povo do Rio (SP, 2014, 63min.)
Os costumes e lendas da etnia Baré, cujo território se estende em várias comunidades ao longo do Médio e Alto Rio Negro, na Amazônia.
Direção: Tatiana Toffoli.
12/4, sexta, às 23h.
Classificação indicativa: Livre.
Diriti de Bdè Buré (GO, 2018, 18m.)
A história da indígena e mestra ceramista Diriti Karajá, que faz bonecas como alternativa à manutenção de sua cultura e subsistência.
Direção: Silvana Beline.
12/4, sexta, às 24h.
Classificação indicativa: Livre.
A Nação que Não Esperou Por Deus (MS, 2015, 90 min.)
A comunidade Kadiwéu, do Mato Grosso do Sul, precisa se adaptar a mudanças como a chegada da luz elétrica, da televisão e das igrejas evangélicas.
Direção: Lúcia Murat e Rodrigo Hinrinchsen.
19/4, sexta, às 23h.
Classificação indicativa: Livre.
As Hiper Mulheres (MT, 2011, 80 min.)
Temendo a morte da esposa, já idosa, o marido pede que seu sobrinho realize o Janurikumalu, ritual feminino do Alto Xingu (MT), para que ela possa cantar pela última vez.
Direção: Carlos Fausto e Leonardo Sette.
26/4, sexta, às 23h
Classificação indicativa: 10 anos.
Para sintonizar o SescTV:
Canal 128, da Oi TV
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Imagem do documentário Hotxuá – o Palhaço Sagrado, o Riso da Terra