RIA permite ampliar assistência aos portadores de autismo

A Prefeitura de São José dos Campos lançou nesta segunda-feira (9) a RIA (Rede de Inclusão ao Autista), que permite oferecer uma assistência mais ampla aos portadores de TEA (Transtorno do Espectro Autista), por meio de um sistema de informação unificado que possibilita acompanhar o histórico de atividades e a inclusão destes pacientes em diversos serviços municipais.

A rede abrange as secretarias de Saúde, Educação e Cidadania, Esporte e Qualidade de Vida, Apoio Social ao Cidadão, Mobilidade Urbana e a Fundação Cultural Cassiano Ricardo.

O serviço integrado permite o acompanhamento e monitoramento do paciente para a inclusão social, inclusão no mercado de trabalho, ressocialização, promoção de saúde, apoio psicossocial e reabilitação, conforme o projeto terapêutico individual. O objetivo é proporcionar também apoio integral às famílias, por meio de palestras e seminários.

RIA (Rede de Inclusão ao Autista)

O público-alvo são as crianças, jovens, pais e familiares de autistas. Hoje, cerca de 400 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, já estão inseridos na rede e recebem acompanhamento do poder público nas áreas de neurologia, psiquiatria, psicologia, nutrição, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicomotricidade, estimulação sensorial, musicoterapia, esporte, avaliação psicopedagógica, educação e ensino profissionalizante.

Cada secretaria, dentro de suas competências, ofertará ações inclusivas, nos recursos e equipamentos do território do paciente. O projeto terapêutico a ser desenvolvido deve resultar da participação dos técnicos, colaboradores intersecretarias e das decisões familiares. Todo projeto terapêutico, portanto, será individualizado e deverá atender às necessidades de cada paciente.

Unificação de dados

O trabalho integrado entre as secretarias resultou em um sistema de informação unificado, que permite a atualização dos processos de trabalho, atualização dos cadastros dos paciente/alunos e reunião técnica mensal (round) focada na solução dos problemas. O objetivo terapêutico da rede é fazer com que a criança obtenha ganho funcional nos primeiros anos de vida, fase em que a formação de habilidades primordiais e a plasticidade neuronal estão fortemente presentes.

A rede de atenção é formada por 111 Escolas de Educação Infantil e 47 Escolas de Ensino Fundamental (que atendam crianças e jovens portadoras de TEA); 40 Unidades Básicas de Saúde (porta de entrada para atendimento e acompanhamento dos casos leves/moderados); Unidade de Especialidades de Saúde (neurologista infantil); UPA Saúde Mental (para atendimento de casos graves); CAPS Infantil (promove maior autonomia e independência nas atividades de vida diária para melhor qualidade de vida).

Ainda na área de saúde, a rede se completa com as unidades de reabilitação (UR Sul, leste e Centro Norte); CVV (ambulatório infantil-juvenil, que oferece atendimento médico especializado e atendimento multidisciplinar para casos de média gravidade de 0 a 18 anos); Hospital Municipal (para consultas com neurologista infantil, ambulatório especializado, odontologia especial e internações) e Hospital Francisca Júlia (que dispõe de equipe multiprofissional para internação de pacientes maiores de 12 anos).

Também fazem parte da rede a Secretaria de Esporte e Qualidade de Vida e a Fundação Cultural. A criação do sistema já permitiu a inclusão das crianças em atividades esportivas desenvolvidas nos centros comunitários e esportivos localizados em todas as regiões da cidade. Hoje, estão inseridas 68 crianças e jovens, que praticam modalidades como basquete sobre rodas, bocha adaptada, capoeira, dança, estimulação global, futsal, ginástica/funcional, natação, taekwondo, tênis de mesa e voleibol.

Outros 140 alunos já estão incluídos nas atividades da Fundação Cultural, participando de oficinas de balé, boneca de pano, canto coral, capoeira, cerâmica, circo, construção de brinquedos, comunicação literária, dança circular, dança de salão, danças urbanas, desenho, fotografia, gestão cultural, histórias em quadrinhos, jazz, mandala, modelagem, mosaico, musicalização, percussão, pintura, poesia em libras, sapateado, teatro, teclado e violão.

Todos os profissionais envolvidos na rede estão sendo capacitados para trabalhar com os pacientes, como professores, terapeutas ocupacionais, médicos, fisioterapeutas, cirurgiões dentistas, psicólogos, entre outros.

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio de desenvolvimento e seu diagnóstico é clínico. Pelo Manual de Transtornos Mentais (DSM-5), o TEA é classificado como leve, moderado e grave. Entre os sintomas estão os déficits persistentes em comunicação e interação social; padrões repetitivos e interesses restritos de comportamento e atividades, que limitam a funcionalidade social e emocional da criança.

Os sintomas podem estar presentes nos primeiros anos de vida até os 8 anos. Sendo assim, é de extrema importância que se observem os sintomas, seu perfil comportamental e cognitivo e que se identifique como a pessoa interage com o ambiente.

O tratamento do autismo engloba assistência multidisciplinar, com engajamento da família e de todos os profissionais envolvidos no tratamento, de forma que a criança desenvolva o máximo de suas potencialidades.

Foto:Rodolfo Moreira