Recuperação do jequitibá-rosa produz os primeiros frutos

As flores que brotaram do jequitibá-rosa de Eugênio de Melo no início do ano foram o sinal de que surtiu efeito o plano de recuperação da árvore centenária, atingida por incêndio em abril do ano passado. Nesta quarta-feira (27), técnicos da Prefeitura de São José dos Campos coletaram dezenas de frutos da Cariniana legalis localizada no distrito da região leste. Outros tantos permanecem nos galhos.

Agora as cápsulas ficarão expostas ao sol para soltar as sementes, que serão colocadas em caixas de areia por 30 dias. A taxa de germinação estimada é de 70% a 80%. Em seguida, elas vão ser transferidas para tubetes em ambiente à meia-sombra, onde vão permanecer por um período de seis meses aproximadamente antes de ser acondicionadas em viveiros com luz solar.

Num prazo de cerca cerca de dois anos, haverá o plantio no entorno da cidade. As mudas filhas dessa matriarca entre as árvores da cidade vão ser distribuídas em programas de educação ambiental com estudantes e plantadas durante eventos comemorativos.

Outra boa notícia é que o jequitibá continua a dar resposta positiva ao tratamento que vem recebendo desde que foi atingido por um incêndio em abril do ano passado. Uma vistoria realizada na terça-feira (26) pelo engenheiro agrônomo Demóstenes Ferreira Filho, da USP (Universidade de São Paulo), apontou que a saúde da árvore está em ordem. O relatório detalhado será enviado à Prefeitura nos próximos dias.

Aumento do volume, coloração das folhas, floração dos ramos, produção de frutos. Esse processo de recuperação é uma grande conquista para a equipe incumbida do trabalho de revitalizar o jequitibá-rosa.

As ações de recuperação do exemplar arbóreo vêm sendo promovidas pela Prefeitura de maneira intensiva e planejada, com aplicação dos tratos culturais para repor os nutrientes, revigorar a copa e controlar pragas e doenças. O monitoramento é constante, com visitas técnicas periódicas para acompanhar o desenvolvimento fisiológico.

Atualmente a árvore ainda tem uma grande fissura no caule e é sustentada com o apoio de uma estrutura metálica, que a protege dos ventos fortes. A Prefeitura está executando serviços de limpeza e poda, estimulando o crescimento de novos galhos, o que contribuirá para o equilíbrio da árvore. Também foram plantadas 12 mudas no entorno da árvore: 4 ipês-rosas, 2 ipês-brancos, 2 jequitibás-rosas, 2 mirindibas e 2 sibipirunas.

Pré-descobrimento

Com idade em torno de 500 anos, o jequitibá-rosa de Eugênio de Melo possivelmente já existia antes do descobrimento do Brasil.

Testemunha no tempo e no espaço, a árvore da família das lecitidáceas esteve presente na paisagem joseense durante os ciclos de desenvolvimento do município. Ao longo do tempo, também sofreu lesões por vandalismo, queimada ou falta de cuidados. Chegou até a ser alvo de testes de resistência com tanques de guerra.

Mas a árvore continua de pé. O último incêndio tentou derrubá-lo, mas não atingiu profundamente o tecido vivo. A Prefeitura, com apoio da sociedade, atuou rapidamente e vem revertendo os danos.

A árvore de Eugênio de Melo recebeu mais uma vistoria, que identificou boa resposta ao tratamento de recuperação – Foto: Charles de Moura/PMSJC
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