Projeto Tamar Ubatuba devolve ao mar uma tartaruga-cabeçuda reabilitada

Um barco levará a equipe e a tartaruga até uma região de mar aberto, distante das redes costeiras, para que ela possa seguir sua viagem sozinha, dia 27 de março

Os pesquisadores do Projeto Tamar Ubatuba devolvem ao mar nesta quarta-feira, dia 27 de março, uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) reabilitada. A espécie, considerada ameaçada de extinção, foi resgatada no dia 15 de setembro do ano passado, pela equipe de campo e reabilitação do Tamar, na praia do Cedro, em Ubatuba, e levada para o Centro de Reabilitação de Tartarugas Marinhas do Tamar.

A tartaruga marinha de quase 50kg estava em uma rede de pesca, com uma corda presa à boca e saindo pela cloaca. Ao ser atendida pelos veterinários do Tamar, a primeira porção da corda foi removida. A outra porção somente pôde ser removida após tratamento.

A médica veterinária do Tamar Ubatuba, Daniela Costa, relata que na radiografia e ultrassonografia observaram problemas no trato digestório. Como ela estava debilitada, a equipe de veterinários realizou transfusão de sangue para a estabilização da saúde da tartaruga e tratamentos para favorecer a expulsão da outra parte da corda que ainda ficou no animal. Foram utilizados anti-inflamatórios, analgésicos e antibióticos durante o período.

“A tartaruga surpreendentemente expeliu toda a corda em 20 dias de tratamento, apresentando plena recuperação até conseguir se alimentar de forma espontânea e em quantidades satisfatórias, melhorando suas condições clínicas a cada dia”, diz Daniela.

Projeto Tamar Ubatuba

No estado de São Paulo, o Tamar iniciou suas atividades em 1990, com a instalação da Base de Pesquisa e Conservação de Ubatuba, onde o apoio voluntário dos pescadores no resgate e salvamento de tartarugas capturadas incidentalmente nas redes de pesca é crucial para o desenvolvimento do trabalho.

O litoral de Ubatuba apresenta grande ocorrência de tartarugas marinhas juvenis, que têm a região como importante área de alimentação, especialmente a tartaruga-verde (Chelonia mydas). Sendo a pesca a segunda maior atividade econômica do município de Ubatuba, é elevada incidência de captura incidental dessa espécie nas redes.

Desde o início, o Tamar Ubatuba já registrou mais de 16.900 ocorrências de tartarugas marinhas, e foram devolvidas vivas ao mar 12.660 tartarugas capturadas incidentalmente em redes ou reabilitadas após serem encontradas doentes, feridas ou debilitadas.

O Projeto TAMAR começou em 1980 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. A Fundação Pró-TAMAR é a principal executora das ações do PAN – Plano Nacional de Ação para a Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil do ICMBio/MMA. A Petrobras é a patrocinadora oficial do TAMAR, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O TAMAR trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no país, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 26 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Em Ubatuba, recebe o apoio da Prefeitura Municipal. Visite: www.tamar.org.br

 

Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) assim que chegou ao Centro de Reabilitação de
Tartarugas Marinhas do Tamar após ser resgatada na praia do Cedro.

A medição da corda que atravessou a tartaruga marinha