Programa para a primeira infância no Brasil vai beneficiar mais 420 mil crianças

O Programa Criança Feliz, do Ministério da Cidadania, anunciou neste mês que vai incluir mais 420 mil crianças vulneráveis em seu público-alvo. Por meio de visitas domiciliares de técnicos capacitados, a iniciativa leva orientações sobre infância e desenvolvimento cognitivo para famílias pobres do Brasil. Projeto tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Família beneficiada pelo Criança Feliz em Maruim, no Sergipe. Foto: Ministério da Cidadania/Rafael Zart

Família beneficiada pelo Criança Feliz em Maruim, no Sergipe. Foto: Ministério da Cidadania/Rafael Zart

O Programa Criança Feliz, do Ministério da Cidadania, anunciou neste mês que vai incluir mais 420 mil crianças vulneráveis em seu público-alvo. Por meio de visitas domiciliares de técnicos capacitados, a iniciativa leva orientações sobre infância e desenvolvimento cognitivo para famílias pobres do Brasil. Projeto tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A expansão do Criança Feliz comemora os mil dias da criação do projeto, que foi instituído em outubro de 2016. A iniciativa passa a contemplar meninos e meninas do Cadastro Único — o instrumento do governo para identificar famílias em condição de pobreza, que recebam até meio salário mínimo por pessoa ou ganhem até três salários mínimos de renda mensal ​total.

Anteriormente, podiam participar do programa apenas crianças que faziam parte do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada — auxílio financeiro concedido a pessoas com deficiência e também para idosos com mais de 65 anos que vivem em situação de baixa renda.

Em torno de 678 mil pessoas já foram beneficiadas pelo Criança Feliz. Das crianças atendidas, mais de 21% começaram a receber as visitas domiciliares antes dos primeiros 12 meses de vida. O projeto também permitiu que mais de 9 mil crianças com algum tipo de deficiência recebessem o Benefício de Prestação Continuada.

A estratégia do governo federal mobiliza 18 mil técnicos, que visitam semanalmente as famílias integrantes do projeto. As equipes dão orientações sobre como impulsionar o desenvolvimento cognitivo, motor, socioafetivo e da linguagem infantil.

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, destaca que o investimento na primeira infância é fundamental para promover o crescimento do país e reduzir as desigualdades.

“Hoje se sabe que o desenvolvimento humano é a peça-chave para as pessoas saírem da pobreza, no aspecto da educação, de capacitação para o trabalho. Mas tudo isso começa e depende do que vai acontecer no início da vida. Uma criança bem cuidada, um bebê bem estimulado pela família vai ter uma escolaridade maior, ter menos problema com violência, vai ter um salário maior e ajudar sua família a sair da pobreza”, afirma o chefe da pasta.

A analista de programa do PNUD, Maria Teresa Amaral Fontes, explica que o organismo das Nações Unidas é “um apoiador-chave do Programa Criança Feliz desde a sua origem e está envolvido diretamente em ações de avaliação de impacto, capacitações nos estados e municípios e formação de servidores”.

“Consideramos o nosso apoio a este projeto como uma oportunidade de olhar para a primeira infância como tema prioritário e indispensável para o alcance do desenvolvimento sustentável, buscando trazer aquelas crianças em situação de vulnerabilidade para o centro de suas ações”, completa a especialista.

O destaque aos primeiros mil dias do Criança Feliz é uma alusão ao período indicado pela ciência como fundamental para o desenvolvimento infantil. O cálculo é feito a partir da soma dos dias correspondentes aos nove meses de gravidez com os dois primeiros anos de vida da criança. Pesquisas sugerem que o cuidado e a estimulação adequada dos meninos e meninas, desde a gestação até o segundo aniversário, têm impactos de longo prazo na saúde física, emocional e cognitiva dos indivíduos.