Professor da FGV analisa o que esperar da Copa de 2022

O coordenador acadêmico FGV/FIFA/CIES, Pedro Trengrouse, diz que a FIFA tem a oportunidade de entrar para a história com a realização da Copa do Mundo de 2022, no Qatar. Segundo ele, além de possibilitar o entendimento no Oriente Médio, a instituição pode colocar o futebol a serviço do desenvolvimento e da paz entre as nações.

“A ideia de antecipar para 2022 a ampliação do número de seleções na Copa de 32 para 48, prevista para 2026, colocando jogos em vários países da região, transformando a Copa do Qatar na Copa do Oriente Médio, é boa para todos. O Qatar, mantendo o mesmo número de partidas, aproveita a Copa para melhorar suas relações com os países vizinhos, a FIFA garante o sucesso da competição, que está seriamente ameaçada por esse embargo, antecipando a inclusão de mais países, fazendo mais dinheiro, reforçando o “soft power” da Copa do Mundo e, ainda por cima, podendo até ganhar um prêmio Nobel”, analisa Pedro Trengrouse.

O professor da FGV lembra que, atualmente, a principal preocupação em relação à Copa no Qatar é o embargo imposto pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito e Iêmen, que romperam relações diplomáticas e fecharam fronteiras, proibindo aviões do Qatar de transitar no seu espaço aéreo, acusando o país de “apoiar o terrorismo”. “Com isso, os voos, em número reduzido, ficam mais longos e mais caros, insuficientes para atender às demandas das equipes operacionais da Copa, seleções e torcedores em geral”, ressalta o especialista que participou da Conferência FIFA Master Alumni durante a Copa, na Rússia.

Pedro Trengrouse acredita que assim como a Rússia acolheu a diversidade durante a Copa, acontecerá o mesmo no Qatar. Segundo ele, a enxurrada de turistas acaba interagindo e flexibilizando costumes locais. “A infraestrutura de estádios para a Copa no Qatar já está praticamente pronta e a impressão geral é que não se mede esforços na preparação. É a primeira vez que um país apronta seus estádios com tanta antecedência. Com os recursos financeiros que tem à disposição e a vontade de encantar o mundo, pode-se esperar realmente um evento inesquecível. Não à toa o slogan deles é Deliver Amazing”, enaltece o especialista da FIFA.

Novidades da Copa – Sob a perspectiva logística e organizacional da Copa na Rússia, Pedro Trengrouse diz que o principal ponto a ser destacado foi a criação do FAN ID, documento oficial emitido pelo Governo para todos os torcedores. O coordenador acadêmico FGV/FIFA/CIES afirma que a medida foi decisiva para diversas questões de segurança com a identificação precisa de praticamente todos os envolvidos com a Copa. “A organização da Copa no Qatar, além de identificação semelhante, imagina algum tipo de pulseira com localizador geo-referenciado para saber em tempo real onde cada torcedor se encontra durante o evento”, cita o professor da FGV.

Torcida – Trengrouse observa que os torcedores brasileiros que vão ao Qatar podem ficar despreocupados com a proibição de bebidas com álcool e festas nas ruas. “No Qatar já se pode beber em locais turísticos fechados como hotéis e restaurantes. Em relação aos locais de concentração de torcedores na Copa e dos estádios em particular, deve acontecer o mesmo que em 2014, quando a FIFA capitaneou mudanças na legislação brasileira para permitir a venda de bebidas alcóolicas nos estádios. No Qatar, inclusive, com estrutura de poder mais centralizada, isso é bem mais simples”, destaca.

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