Polêmica com voos suborbitais frente a operações aeroagrícolas e aviação geral nos EUA

A construção de um espaçoporto no Aeroporto Front Range, em Watkins, Colorado, está gerando discussão em boa parte do estado norte-americano. Principalmente porque os voos suborbitais – com aeronaves que viajam no limite entre a atmosfera terrestre e o espaço – teriam uma área de influência de pouco mais de 8 mil quilômetros quadrados, onde a cada operação seriam interrompidos desde os voos comerciais até as operações aeroagrícolas.

Isso em uma faixa de 200 quilômetros de extensão que pega boa parte das lavouras a leste do Colorado – abrangendo quatro condados, até o condado de Cheyenne, já no estado vizinho do Kansas. A leste porque o território é menos povoado e, na direção contrária – a 40 quilômetros de Watkins, está a cidade de Denver, com seu aeroporto internacional.

A questão foi tratada em uma notícia publicada na última semana no jornal The Fence Post, da cidade de Greeley, também no Colorado. Segundo a matéria, o ex-senador do Estado Greg Brophy vem reforçando a necessidade de se discutir melhor os efeitos sobre a população urbana e rural. Isso porque as aeronaves provocam pelo menos dois estrondos sônicos a cada operação e haveria a potencial que de detritos.

O pedido de licença junto à Agência Federal de Aviação (FAA na sigla em inglês tramita desde 2011. “É importante que as pessoas (…) entendam que não estaremos lançando foguetes”, comentou a comissária do Condado de Adams (que abrange Denver e Watkins), Mary Hodge. Já o deputado Jerry Sonnenberg manifestou preocupação com os estrondos sônicos na pecuária e quanto às interrupções das operações aeroagrícolas. Segundo ele, considerando que 13 operadores atuam na região, cada um tratando 81 hectares de lavouras por hora, isso daria mais de 1 mil hectares onde se poderia perder o tempo certo da aplicação.

PLANOS

O projeto do espaçoporto em Watkins tem como finalidade, além do mercado turístico, atrair para a região um polo de tecnologia. Por enquanto, as instalações não têm data certa para sair do papel e as próprias aeronaves com capacidade suborbital ainda são realidade apenas para pouquíssimas empresas que estão testado aparelhos para oferecer passeios curtos (e caros: cerca de 250 mil dólares por pessoa). Tudo para que turistas tenham a sensação de chegarem próximos à chamada linha de Kármán, a 100 quilômetros de altitude.

Por outro lado, já há a expectativa de que, em 20 ou 30 anos, seu desenvolvimento chegue a aparelhos que possam ser usadas para levar cargas e passageiros a diversos pontos da Terra, voando a velocidades de até 25 mil quilômetros por hora.

SpaceShipOne pousando em 2004, depois de um voo suborbital de teste para futuro turismo espacial, nos EUA – Foto: Wikimedia Commons

 

Fonte:http://sindag.org.br/polemica-com-voos-suborbitais-frente-operacoes-aeroagricolas-e-aviacao-geral-nos-eua/

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