Pesquisadores da Univap criam mão biônica mais leve e barata

A prótese deve custar em torno de R$500 e é uma das mais avançadas do país para pessoas que amputaram ou nasceram sem a mão

 

Uma prótese biônica foi criada por alunos e professores da Universidade do Vale do Paraíba (Univap) para ser implantada em pessoas amputadas ou que nasceram sem a mão. Entre seus diferenciais estão o menor peso e a precisão nos movimentos de abrir e fechar a mão, já que um microcomputador embutido dentro dela é programado com movimentos acionados em acordo com as ligações nervosas preservadas acima do coto pessoa. Desenhada em um software, a prótese foi confeccionada em impressora 3D na própria universidade, o que reduz muito o seu valor de comercialização.

 

Toda a tecnologia utilizada para construção da prótese foi nacionalizada, assim como o material utilizado, produzido no Brasil. “Antes que o paciente receba a prótese, os alunos e professores do curso de Fisioterapia da Univap farão o mapeamento do sistema nervoso periférico do braço que irá receber o aparelho, por meio da emetromiografia. Esse procedimento é feito com eletrodos e posteriormente irão treinar essa prótese já implantada em um exoesqueleto,” explica o prof. Dr. Mário Oliveira Lima, doutor em Engenharia Biomédica e coordenador do curso. Essas informações são armazenadas no microcomputador embarcado dentro da prótese, que possuí um software criado para realizar a leitura do estímulo nervoso e convertê-lo em estímulo elétrico.

 

“O microcomputador funciona como uma extensão das ligações nervosas que foram perdidas com a amputação, ou que são ausentes, nos casos congênitos. Todo o design e sistema eletrônico foram desenvolvidos por nós, na Faculdade de Engenharias e Arquitetura e pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Univap. Por isso, será possível personalizar as próteses por tamanho, inclusive ajustando os movimentos para a potência muscular específica de cada pessoa”, conta o professor de Robótica da Univap, Alessandro Correa Mendes, orientador do projeto.

 

A prótese é feita em material plástico resistente chamado ABS e possuí extensão para ocupar o lugar do antebraço também. “Um aparelho desses pode custar entre R$ 130 mil e R$ 150 mil, enquanto o que nós desenvolvemos deve custar menos de R$ 500. Isso facilitará o acesso às pessoas que não podem custear uma prótese de alta tecnologia”, ressalta Mendes.

 

Atualmente, a maioria das próteses disponíveis no mercado são modelos mecânicos, o que requer ao paciente pelo menos uma parte do membro preservada – neste caso, a mão, ou algum dos dedos – quando essa parte mexe os cabos são acionados para movimentar a prótese. No entanto, a mão biônica funciona perfeitamente em pessoas que não tem nenhuma parte do membro. “Essa é uma das mais avançadas tecnologias neste setor. Iremos produzir tudo aqui mesmo na Univap e já realizar os testes em pacientes. Estamos em processo de envio do projeto para o Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) e de seleção dos pacientes que receberão a prótese e participarão do processo de reabilitação”, diz a aluna de Engenharia Biomédica da Univap, Giovanna Prado Guatelli, que elaborou o projeto ao lado das também alunas Thayane Gonçalves da Silva Marques e Leticia Menecucci de Oliveira.

 

Para selecionar as pessoas que terão a prótese implantada e testada, os interessados devem fazer inscrição pelo telefone (12) 3947-1086 – Clínica de Fisioterapia da Univap, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h30, ou presencialmente na Av. Shishima Hifumi, 2911, Urbanova – São José dos Campos / SP. Após as inscrições os grupos de Robótica e Engenharia de Reabilitação Sensório Motora realizarão uma triagem.

 

“É importante salientar que as pessoas que necessitam de uma prótese passaram por um grande trauma e merecem receber os bons resultados de estudos como esse, em que sua condição motora é restabelecida. Em outra ocasião criamos os drones que monitoram áreas de queimadas e desmatamentos, por exemplo. Agora estamos sonhando junto com as pessoas, que querem ter uma vida normal com uma mão de movimentos muito similares aos da mão humana. Para nós, a formação dos alunos, dos futuros cientistas e inventores, precisa desde já unir ciência e educação em prol da sociedade”, finaliza Mendes.

Foto:Univap

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