Pesquisadoras brasileiras recebem prêmio da UNESCO sobre igualdade de gênero na ciência

Sete pesquisadoras brasileiras receberam neste mês (4), no Rio de Janeiro, o Prêmio Para Mulheres na Ciência, promovido pela UNESCO com a L’Oréal Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Iniciativa reconhece pesquisas nas áreas de Ciências da Vida, Química, Matemática e Física, com potencial de encontrar soluções para questões ambientais, econômicas e de saúde.

Sete pesquisadoras brasileiras receberam neste mês (4), no Rio de Janeiro, o Prêmio Para Mulheres na Ciência, promovido pela UNESCO com a L’Oréal Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Iniciativa reconhece pesquisas nas áreas de Ciências da Vida, Química, Matemática e Física, com potencial de encontrar soluções para questões ambientais, econômicas e de saúde.

A premiação também considera a trajetória profissional das candidatas em suas áreas de atuação. Em 2018, o concurso chegou a sua 13ª edição, que bateu recorde de participação. Foram 524 inscrições, 34% a mais que em 2017. Por meio de prêmios em recursos financeiros, a competição permite a mulheres cientistas dar continuidade às suas carreiras e projetos de pesquisa. Cada ganhadora recebe uma bolsa no valor de 50 mil reais.

“Parece que vivemos todos os dias na invisibilidade e esse prêmio fez com que nos sentíssemos especiais, iluminadas e empoderadas. Trouxe à tona aquela sensação de que ainda vale a pena fazermos ciência apesar de todos os obstáculos”, afirmou durante a cerimônia de premiação a gaúcha Ethel Wilhelm, uma das vencedoras deste ano.

O coordenador interino de Ciências Naturais da UNESCO no Brasil, Fábio Eon, ressaltou que o organismo da ONU sempre pautou sua ação na área das ciências por dois objetivos: a busca do progresso científico como um direito humano; e a redução dos hiatos e assimetrias entre homens e mulheres nas ciências.

“Essa tem sido grande a bandeira da UNESCO no tocante ao direito ao progresso científico para ‘todos’ e ‘todas’”, disse Eon. Para o especialista do organismo internacional, “falar de mulheres na ciência em pleno século XXI não é mais apenas um imperativo ético, mas sim um imperativo de desenvolvimento”.

Também presente no evento, An Verhulst-Santos, presidente da L’Oréal Brasil, lembrou que “as mulheres representam apenas 30% dos pesquisadores em todo o mundo”.

“Não queremos uma sociedade na qual desigualdades de gênero são reproduzidas, reforçadas e perpetuadas. Por isso, temos muito orgulho de poder dar mais visibilidade às mulheres na ciência brasileira”, acrescentou a executiva.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, ressaltou o caráter inspirador da premiação. “De fato, esse prêmio é simbólico. Ele realmente motiva as meninas que estão no ensino fundamental e no ensino médio a começar a pensar em ciência. Aponta um caminho para as mulheres e para as meninas que ainda não decidiram o que vão fazer”, avaliou.

Para o professor, o prêmio vai contra estereótipos e contra uma cultura que separa as pessoas de acordo com o gênero. “No mundo contemporâneo, não há mais razão para as mulheres não fazerem ciência tanto quanto os homens”, completou Davidovich.

Saiba mais sobre as vencedoras

Entre as vencedoras, Fernanda Cruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalha no desenvolvimento de terapias menos invasivas para doenças respiratórias crônicas. Sabrina Lisboa, da Universidade de São Paulo (USP), busca um tratamento para o transtorno do estresse pós-traumático, a partir do entendimento das alterações que acontecem no cérebro de quem desenvolve a doença.

É com a alimentação saudável que a pesquisadora Angélica Vieira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita ser capaz de resolver o problema global da resistência das bactérias aos antibióticos. Também em Minas Gerais, Jaqueline Soares faz nanotecnologia com uma matéria-prima abundante em Ouro Preto, a pedra-sabão. O objetivo é aperfeiçoar próteses ortopédicas e dentárias.

Da esquerda para direita, Nathalia Bezerra, Sabrina Lisboa, Jaqueline Soares, Luna Lomonaco, Ethel Wilhelm, Angelica Vieira e Fernanda Cruz, vencedoras da edição 2018 do prêmio "Para Mulheres na Ciência". Foto: Prêmio Para Mulheres na Ciência

Da esquerda para direita, Nathalia Bezerra, Sabrina Lisboa, Jaqueline Soares, Luna Lomonaco, Ethel Wilhelm, Angelica Vieira e Fernanda Cruz, vencedoras da edição 2018 do prêmio “Para Mulheres na Ciência”. Foto: Prêmio Para Mulheres na Ciência

Ethel Wilhelm, da Federal de Pelotas (UFPEL), estuda os mecanismos por trás das dores nas extremidades do corpo, a fim de garantir qualidade de vida para os idosos, segmento da população que mais cresce no mundo.

Luciana Lomonaco, da USP, pesquisa um dos fractais mais famosos da Matemática, o Conjunto de Mandelbrot. “Por falta de referências femininas na ciência e, em especial, na Matemática, as jovens nem sabem que existe essa possibilidade quando chega a hora de escolher sua carreira. O prêmio vem para mostrar que é possível ser mulher e cientista”, diz a especialista.

Nathalia Bezerra, da Federal de Pernambuco (UFPE), também atua em uma área majoritariamente masculina. A cientista investiga como aumentar a durabilidade do cimento nas diversas condições climáticas do Brasil. “O prêmio vai ser fundamental para ganhar reconhecimento e será um divisor de águas na carreira”, avalia a pesquisadora.

Vencedoras do 13º Prêmio Para Mulheres na Ciência durante cerimônia de premiação. Da esquerda para direita, Angelica Vieira, Fernanda Cruz, Jaqueline Soares, Nathalia Bezerra, Ethel Whilhelm, Luna Lomarco e Sabrina Lisboa. Foto: UNESCO

Saiba mais sobre o Prêmio Para Mulheres Ciência: www.paramulheresnaciencia.com.br.