Pesquisa aponta aumento de casos de sífilis em São José

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Uma pesquisa realizada pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba) investigou fatores envolvidos em uma grave situação de saúde nacional, o aumento da taxa de detecção de sífilis na gestação. Na região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte e, mais particularmente, no município de São José dos Campos, anualmente, além da incidência crescente da identificação de sífilis na gestação, a persistência e elevação de índices de sífilis congênita torna esta condição uma prioridade para a saúde coletiva e vigilância epidemiológica.

A sífilis é uma infecção bacteriana transmitida pelo contato sexual, que causa dor e verrugas nos órgãos genitais, febre, mal-estar e fadiga. Constatado na gestação e não havendo tratamento, o recém-nascido pode apresentar prematuridade, baixo peso, meningite, convulsões, anemia, entre outros.

Apresentado no XX Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, o estudo mostra a necessidade de revisão dos procedimentos adotados e a adoção do conceito de saúde ampliada dos programas governamentais voltados à saúde. De acordo com relatos das mães portadoras de sífilis, há uma grande dificuldade de acesso aos serviços e tratamento, agravados pela falta de informação, que gera hábitos e atitudes que aumentam a vulnerabilidade à doença.

Outro fator condicionante foi o não tratamento dos parceiros, que resistem ou se negam a acompanhar as consultas de pré natal e fazer o tratamento (o que pode levar à reinfecção da mulher). Além do frequente envolvimento direto com uso de drogas ilícitas observado, os parceiros também têm falta de conhecimento sobre o assunto e dificuldade de se adequar ao horário comercial de funcionamento das unidades. Foi constatado que a troca constante de acompanhamento médico por parte das mães é outro fator que dificulta a identificação das doenças no pré-natal.

Para a Profa. Dra. Paula Vianna, coordenadora do projeto, embora a sífilis seja uma doença para a qual existem recursos diagnósticos e terapêuticos simples e de baixo custo, seu controle na gestação mostra-se um desafio para profissionais de saúde e gestores. Isso se deve pelo curto intervalo da gestação para a realização do seu diagnóstico e tratamento; pela persistência da dificuldade de abordagem das infecções

 

sexualmente transmissíveis, principalmente durante a gestação e provavelmente pelo desconhecimento desse agravo e dos danos que pode causar à saúde da mulher e principalmente do bebê e, igualmente, por uma visão que ainda prioriza o olhar biomédico e não incorpora as demais dimensões de saúde como parte do cuidado.

O tratamento para sífilis é realizado com o antibiótico penicilina benzatina conforme os critérios determinados pelo Ministério da Saúde. É recomendado a aplicação de três doses para impedir a progressão da doença, principalmente se ela for aplicada no  primeiro ano após a infecção. Além disso, o acompanhamento durante o período pré-natal é primordial para a precaução e tratamento, caso descoberto antecipadamente. O sexo seguro, com uso de preservativos, é a principal forma de prevenção da sífilis.

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