“OS DESCARTÁVEIS” APOSTA NO DRAMA, NA OPERA E NO CANTO POPULAR PARA FALAR SOBRE OPRESSÃO SOCIAL

Quando o diretor Cleiton Pereira aceitou o convite para dirigir a montagem “Os Descartáveis”, não imaginava que as questões abordadas pelo projeto teriam que atravessar as plataformas digitais. Com temporada online de 01 a 04 de abril, a peça reúne drama épico, transita pela ópera e canto popular. As exibições serão gratuitas em formato streaming pelo canal do grupo “Teatro da Aldeia” no youtube e não ficarão disponíveis após temporada.

O trabalho nasceu a partir do projeto “Rashomon” no qual, o grupo buscou aprofundar sua pesquisa nos diferentes julgamentos e divisões sociais que fazem de nós ora oprimido, ora opressor. Para isso, os atores buscaram histórias pessoais e também fizeram um exercício de observação sobre simbologias. “Trabalhamos com metáforas, com pequenos ritos de transformação de um ser humano. Esses símbolos não são realistas, são imaginários universais. Vão para além do cotidiano e do realismo. Tudo é de certa forma posicionado para dar ao espectador a possibilidade de imaginar, de completar o movimento e sua própria imaginação” Afirma o diretor Cleiton Pereira.

No momento em que o Brasil soma mais de 300 mil mortos e o mundo discute a desigualdade social agravada pela pandemia, “Os Descartáveis” traz a cena personagens incômodos aos olhos do público. Definidos pelo grupo como “Circo de Horrores”, o espetáculo traz personificações de manchetes diárias na mídia como, a mulher oprimida, o cidadão apático, o burguês sádico e o proletário marionete. Todos esses símbolos ganham mais força com a direção musical do maestro Rafael Braga, que a partir do trabalho vocal transita pela opera e canto popular com a criação de coros e solos dramáticos. “A música é um elemento que pretende exagerar os afetos na cena, o grotesco sendo mais grotesco, o esperançoso mais esperançoso. Conversamos constantemente, diretor e atores, para encontrarmos a melhor sonoridade para cada cena e para cada personagem, com canções executadas para exacerbar a dramaticidade e conseguir uma abertura forte, de caráter cínico e ao final com um tom mais utópico, de união”, comenta Rafael.

Com o fechamento dos teatros, os trabalhos migraram para as plataformas de streaming e o desafio do diretor e grupo “Teatro da Aldeia” tornou-se maior. Nesse sentido, o grupo aposta na inovação da linguagem dramática a partir do canto e da estética no palco digital. “E no fim, concordamos com Brecht: tudo é um mecanismo de encontro com que está ali para ver. Quem está ali para ver, ouvir, pensar está naquele momento dentro da obra, fazendo ela ter algum sentido de existir. No fim, quero dizer que todos os recursos de um teatro épico estão na obra deslizando em outras linguagens, também transformadas e atravessadas por uma relação intima e primitiva entre artistas e público”, finaliza Cleiton Pereira.

O grupo: Formado atualmente por Adriana Marques, Ana Cristina Freitas e Wallace Puosso, o Teatro D´Aldeia é sediado em São José dos Campos e vem de longa data desenvolvendo trabalhos artísticos que nascem da inquietação e desejo de seus integrantes.

TEMPORADA VIRTUAL

Datas: De 01 a 04 de abril – (Quinta a sábado – 21h aos domingos 20h30)

Indicação: maiores de 16 anos (contém cenas de nudez)

Exibições: Youtube Teatro D’Aldeia

Site: www.teatrodaldeia.com.br

Facebook: www.facebook.com/teatrodaldeia

FICHA TÉCNICA

Elenco: Adriana Marques, Ana Cristina Freitas, Miguel Safe, Wallace Puosso e Rafael Braga; Roteiro Dramatúrgico: Cleiton Pereira; Direção Musical: Rafael Braga; Cenário: Vander Palma; Figurinos: Ana Cristina Freitas; Provocação Gestual: Adriana Marques; Iluminação: Matheus Borges; Design Gráfico: Wallace Puosso; Fotos: Renato David Oliveira; Captação e Edição de Imagens: Estúdio Oversonic; Tradução em Libras: Marta Filomena de Paiva; Produção: Teatro D’Aldeia; Direção Geral: Cleiton Pereira

Os Descartavéis-Foto:Renato David

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