Novo projeto para turismo de São Paulo vê o estado como ‘multicultural’

Proposta do governo estadual busca integrar áreas hoje desconectadas, criando identidade turística e ampliando as atrações de diferentes regiões do estado

Como o estado mais populoso do país, São Paulo abriga algumas das maiores cidades brasileiras, como a capital paulista, além de Santos e Campinas, sendo lembrado com destaque no turismo de negócios. Em 2019, o Brasil viu uma alta de 9,5% nesse setor em comparação ao ano anterior. Somente a capital São Paulo atraiu 48,7% do total de turistas corporativos.

Contudo, o estado também oferece outros atrativos para o turismo de lazer. É pensando em fomentar esse tipo mais tradicional que o governo estadual quer retomar as atividades do setor, após a pandemia provocada pelo novo coronavírus, e recuperar a economia.

Antes de comprar uma passagem na Rodoviária Tietê e adentrar o estado de São Paulo, conhecendo a beleza das praias do litoral Norte, na Serra da Mantiqueira, e do interior, confira algumas das iniciativas que buscarão motivar a visita de turistas a lazer.

Empréstimo

Entre as iniciativas previstas está a construção de mirantes, paradouros, caminhos suspensos, pórticos e até museu. Parte do dinheiro para organizar essas estruturas virá a partir de uma linha de US$ 500 milhões que está sendo acordada entre o governo estadual e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Outra aposta desse novo projeto do governo de João Doria é a criação de distritos turísticos temáticos, para instalação de novos empreendimentos privados, e rotas “cênicas”, com mirantes, paradouros, caminhos suspensos e outros atrativos entre os municípios mapeados — a exemplo do que ocorre na Serra Gaúcha, em municípios como Canela, Nova Petrópolis, Gramado.

A falta de conexão entre os destinos, muitas vezes, geograficamente próximos, é um dos desafios vigentes para o turismo no estado de São Paulo hoje. Por isso, outra proposta é a criação de distritos turísticos. O primeiro deles, chamado de Serra Azul, engloba os municípios de Louveira, Jundiaí, Itupeva e Vinhedo, região que reúne parques de diversão, centros de compras, vinícolas e antigas ferrovias.

Outro distrito temático ocorreria no Vale do Ribeira, região mais ao Sul do Estado, perto da fronteira do Paraná, marcada pela vastidão de Mata Atlântica, comunidades tradicionais quilombolas e ribeirinhas. Isso abre inúmeras possibilidades, como o ecoturismo, o turismo cultural e o turismo de lazer vinculado à região litorânea, que envolve Cananéia, Ilha do Cardoso, Ilha Comprida e Iguape.

O litoral Norte paulista, marcado por lindas praias que reúnem mar cristalino e Mata Atlântica, integraria o Circuito das Águas. Outro destaque refere-se à Serra da Mantiqueira, cadeia que reúne 500 km de montanhas, florestas, cachoeiras, rios e mirantes com vistas arrebatadoras.

Questões

O governo estadual paulista busca facilitar a instalação de empreendimentos internacionais nessas regiões, a partir da padronização do Plano Diretor, resolução de problemas de acessibilidade, além de novas estratégias de comunicação com o público. Tais medidas são consideradas importantes para criar uma “identidade turística” em cada região.

Uma das propostas em andamento é a privatização de parques naturais, a exemplo do que vem sendo praticado pelo governo federal. O governo paulista privatizou o Parque Estadual de Campos do Jordão em abril de 2019 e vem formulando a licitação do Parque Estadual da Serra do Mar hoje.

Especialistas da área e organizações criticam essa concessão à iniciativa privada e a proposta de permitir a construção de hotéis em parques estaduais. Uma das críticas concerne impactos ambientais sobre áreas protegidas, muitas das quais são controlados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Outras questões referem-se à falta de participação das comunidades ribeirinhas e quilombolas que vivem ali em todo esse processo, pensando em como elas podem ser impactadas e até removidas a partir de empreendimentos privados ou estrangeiros.

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