Na ONU, líderes discutem nova abordagem preventiva para alcançar e manter a paz

Pedindo mais diplomacia, diálogo e mediação para impedir conflitos antes que eles se manifestem, autoridades das Nações Unidas cobraram que líderes mundiais ajudem a fortalecer uma nova abordagem para manter a paz, com o objetivo de colocar a prevenção no centro do trabalho da ONU.

O presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Miroslav Lajcák (ao centro), preside a reunião de alto-nível sobre a construção e a manutenção da paz. Ao seu lado esquerdo está o secretário-geral da organização, António Guterres, e a subsecretária-geral para assuntos da Assembleia Geral e Gestão de Conferência, Catherine Pollard. Foto: ONU/Evan Schneider

O presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Miroslav Lajcák (ao centro), preside a reunião de alto-nível sobre a construção e a manutenção da paz. Ao seu lado esquerdo está o secretário-geral da organização, António Guterres, e a subsecretária-geral para assuntos da Assembleia Geral e Gestão de Conferência, Catherine Pollard. Foto: ONU/Evan Schneider

Pedindo mais diplomacia, diálogo e mediação para impedir conflitos antes que eles se manifestem, autoridades das Nações Unidas pediram na terça-feira (24) uma reunião de líderes mundiais para ajudar a fortalecer uma nova abordagem para manter a paz, com o objetivo de colocar a prevenção no centro do trabalho da ONU.

“A primeira linha da Carta das Nações Unidas nos compromete a salvar gerações sucessivas do flagelo da guerra”, disse o presidente da Assembleia Geral da ONU, Miroslav Lajcák, em seu discurso de abertura da Reunião de Alto Nível sobre Construção e Manutenção da Paz, na sede da organização em Nova Iorque.

“De certa forma, nós cumprimos esse compromisso. Não houve, desde então, outra guerra mundial. Mas, de muitas outras maneiras, nós não o fizemos”, disse ele, observando que uma nova abordagem é necessária para salvar pessoas em locais de conflito interminável, incluindo Síria, Sudão do Sul, Iêmen, Líbia, Somália e Afeganistão.

Lajcák disse que, em 2016, a ONU decidiu adotar uma nova abordagem: a Assembleia Geral, junto ao Conselho de Segurança, adotou o que hoje é conhecido como “resoluções de paz sustentável”, que renovam o compromisso do organismo mundial com a prevenção de conflitos incorporado na Carta da ONU.

Dois anos depois, há desafios em tornar essa abordagem uma realidade, disse ele, pedindo maior atenção internacional para a necessidade de esforços ampliados para prevenir conflitos, alcançar a coerência dentro do Sistema ONU e expandir parcerias, financiamento e inclusão.

Jayathma Wickramanayake, a enviada do secretário-geral para a Juventude, pediu aos Estados-membros que aumentem o financiamento para o trabalho de construção da paz liderado pelos jovens e vejam os jovens como parceiros na agenda da paz sustentável.

O secretário-geral da organização, António Guterres, destacou a necessidade de fortalecer parcerias em torno de todos os esforços, e em todas as fases, desde a prevenção e resolução de conflitos até a manutenção da paz, consolidação da paz e desenvolvimento em longo prazo.

Os principais parceiros incluem os governos, a própria ONU, outras organizações internacionais, regionais e sub-regionais, instituições financeiras internacionais, o setor privado e a sociedade civil, incluindo grupos de mulheres e jovens, acrescentou.

“Manter a paz só será realizado por meio de uma apropriação nacional comprometida e inclusiva que considere as necessidades dos mais marginalizados, incluindo mulheres, jovens, minorias e pessoas com deficiência”, disse ele.

O chefe da ONU disse que mais países estão passando por conflitos violentos do que em qualquer momento em quase três décadas, e que um número recorde de pessoas estão em movimento, deslocadas pela violência, guerra e perseguição.

“As desigualdades estão aumentando; regiões inteiras, países e comunidades podem encontrar-se isolados do progresso e deixados para trás pelo crescimento. Tudo isso indica que precisamos de maior unidade e coragem – para aliviar os medos das pessoas a quem servimos; para colocar o mundo no caminho certo para um futuro melhor; e estabelecer as bases de uma paz e desenvolvimento sustentáveis”, enfatizou Guterres.

Participaram também do debate Michelle Yeoh, atriz e embaixadora da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e Ishmael Beah, defensor das crianças afetadas pela guerra do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

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