Mortes no trânsito de SP tem queda de 4,6% no acumulado do ano

Contabilizadas somente as ocorrências do mês de abril, Barretos (75%) e Marília (50%) são as cidades que mais registraram aumento, enquanto o ABC paulista dobra o número de óbitos;

Entre janeiro e abril, o número de mortes de trânsito no estado de São Paulo teve leve queda em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo levantamento do Infosiga, sistema de dados do governo estadual, foram registradas 1.605 fatalidades nos quatro primeiros meses deste ano, ante 1.683 em 2018 (-4,6%). A diminuição de ocorrências está ligada à queda registrada no mês de abril: 400 óbitos, contra 471 do último ano – queda de 15%.

Os acidentes com vítimas fatais quase sempre estão associados a fatores como distrações com o celular, embriaguez ao volante, excesso de velocidade, ultrapassagem irregular e avanço do sinal vermelho. Os dados de abril mostram que os homens são os que mais vêm a óbito no trânsito (81,5%) e mais de metade dos acidentes acontecem em vias municipais (54%).

Ainda na comparação entre abril deste ano com o mesmo mês de 2019, o município de Barretos é a que mais aumentou o índice de mortes nas vias (75%), seguido por Marília (50%), São José dos Campos (9%) e Ribeirão Preto (6%). A região do ABC, na somatória das cidades, praticamente dobrou o número de óbitos: de 13 para 24. Já na Grande São Paulo, o total de vítimas caiu de 148 para 120.

Apesar da redução, o avanço é discreto. O país segue longe da meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê redução de 50% no número de vítimas em 10 anos, contados a partir de 2011. Segundo a organização, anualmente, os acidentes de trânsito ocasionam 1,35 milhão de mortes em todo o mundo – mais da metade desses óbitos são de usuários vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas. Além disso, por ano, os acidentes de trânsito ferem de 20 a 50 milhões de pessoas.

Para a diretora da ProSimulador, Sheila Borges, uma série de medidas em conjunto podem ajudar a reduzir ainda mais este índice. “Além do aumento da fiscalização, o melhor caminho para diminuir os acidentes é o uso da tecnologia para a educação no trânsito. Paralelamente, é essencial que haja um calendário de campanhas e ações efetivas de conscientização”, recomenda.

Ela acrescenta que uma mudança positiva pode surgir a partir de mais recursos tecnológicos aos condutores em formação, como os simuladores de direção. Uma das vantagens da ferramenta é mostrar os riscos do trânsito sem colocar os aprendizes em risco. “Com o uso deste equipamento, o aluno estará mais preparado para dirigir nas vias, impactando na redução de acidentes. O simulador pode, por exemplo, reproduzir aulas em período chuvoso e com neblina, com excesso de veículos ou pedestres, e condições de risco variadas, como alta velocidade e direção sob efeito de bebidas alcoólicas”, conclui Sheila.