Mapeamento do IPT aponta menor abrangência de áreas de alto e muito alto risco no município de Cunha

Uma reavaliação geológico-geotécnica das áreas de riscos em encostas e daquelas sujeitas a inundações no município de Cunha, realizada por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), trouxe o diagnóstico de que os graus de risco e a abrangência das áreas de risco são menores do que as identificadas anteriormente na cidade paulista.

De acordo com os resultados do levantamento, realizado no âmbito do Programa de Apoio Tecnológico aos Municípios (Patem) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, cerca de 4% da população do município (800 pessoas) encontra-se em áreas consideradas de Risco Alto (R3) ou Risco Muito Alto (R4) – um número menor do que os 20% apontados em mapeamentos anteriores.

O trabalho, desenvolvido de junho a dezembro de 2018, incluiu também a avaliação das condições de algumas edificações indicadas pela equipe técnica da prefeitura e seguiu metodologia criada pelo Ministério das Cidades em conjunto com o IPT.

Os mapeamentos anteriormente realizados identificavam dez setores, sendo oito áreas em R3 para deslizamentos de solo, uma em R4 para deslizamentos de solo e uma em R3 para inundação. Já no remapeamento, foram identificados 13 setores, sendo oito classificados como Setores de Monitoramento (SM), quatro com R3 para deslizamentos de solo e um com R3 para inundação.

Segundo Luiz Antonio Gomes, pesquisador da Seção de Investigações, Riscos e Desastres Naturais do IPT e gerente do projeto, tais diferenças entre os graus de risco e os limites identificados se devem ao uso de métodos distintos de mapeamento. As metodologias utilizadas nos trabalhos anteriores eram mais generalistas, classificando as áreas por meio da determinação do nível de risco predominante no local.

“A metodologia do IPT é detalhada e identifica alguns setores com níveis de risco mais baixos. Avaliamos que existiam regiões mais pontuais de Alto Risco, que necessitam de intervenções, e o restante das áreas seriam consideradas setores de monitoramento, sem a necessidade de ações emergenciais” explica.

A utilização de drones no mapeamento foi um dos diferenciais do trabalho, cuja tecnologia permite fotos aéreas detalhadas e de qualidade superior às obtidas com o uso de helicópteros, uma vez que o equipamento pode sobrevoar as áreas em alturas mais baixas que o veículo aéreo. Segundo Gomes, o drone também otimiza os deslocamentos, cobre áreas amplas que não poderiam ser visualizadas do chão, e tem um custo menor do que outras tecnologias.

A indicação de 41 intervenções estruturais para as áreas de risco e suas estimativas de custo também foram produto do trabalho, cujo detalhamento auxilia na objetividade das ações da prefeitura quanto aos riscos reais apresentados em cada região. “O IPT indica as intervenções necessárias nas áreas com alto risco de deslizamento ou inundação, para uma gestão municipal adequada dos riscos. Cerca de 80% dessas intervenções são obras de bioengenharia, que incluem a revegetação das áreas para evitar a erosão e ajudar na permeabilidade do solo”, finaliza Gomes.

Vista aérea de cunha em fotografia produzida com a utilização de drone