Leitura Flutuante com Jeferson Fernandes :Fake news, dívida milionária da Globo e Inveja

A notícia fake de que o presidente Bolsonaro iria executar uma dívida milionária da Globo, foi uma das notícias que mais “rodaram” por esses dias nas redes sociais.

Eu mesmo recebi de algumas pessoas bem alegres e satisfeitas pelo Whatsaap. Mas para a tristeza dessas e outras pessoas, não será dessa vez…

Não assisto nada da Globo, não gosto nem desgosto, apenas não há nada que me interesse.

Mas o que me interessa aqui é essa alegria dessas pessoas com o possível fim da emissora. Por que uma coisa como essa, que poderia gerar mais desemprego, mais famílias desesperadas sem saber o amanhã, coisa que a gente nunca sabe, pois as únicas certezas que temos é que a gente nasce e a gente morre e que amanhã será um novo dia.

Na ala evangélica é possível entender essa ‘raiva’ pela Globo, devido ao pensamento conservador, então, essa ala eu excluo e vou direto para a ala dos não evangélicos conservadores.

O que pode explicar todo o tipo de comentário negativo e por vezes, cheio de ódio dessa outra ala, composta por membros que assistem pornô na internet, que tem casos extraconjugais, que vivem mandando videos eróticos no whatsaap e que fazem sabe se lá mais o que na calada da noite…

Tenho algumas suspeitas…

As mulheres lindas, devidamente maquiadas, com a luz acertada, filtros de video, que beijam vários homens nas novelas menos eu, e outros milhares de homens que apenas podem usar a imaginação; o pensamento geralmente desse tipo de macho é “esses atores que ganham dinheiro para transar em frente da câmera”, ou ainda “esses caras que se acham, só porque trabalham na TV, mas que nunca deram duro na vida como eu…”. Isso vale também para as mulheres, mas em um contexto mais estético e menos – talvez, não muito – contexto sexual. “Essas mulheres cheias de Botox, silicone, que tem estrias e celulites maquiadas”, ou “esses homens que na maioria nem devem gostar de mulher”, e assim por diante. Comentários ácidos e sem nenhuma função positiva ou lógica, a não ser a de desabafar e/ou de reduzir a dissonância.

A diferença entre cobiça e inveja, é que a cobiça se caracteriza em querer algo como o de Fulano, de ter um espaço como Cicrano; já a inveja é querer ter algo do Fulano, de ter o espaço do Cicrano, de se entristecer pela alegria do outro. O francês Honoré de Balzac, o criador da expressão mulher balzaquiana, expressão que surgiu após a publicação de seu livro A Mulher de Trinta Anos, no século 19 disse “É tão natural destruir o que não se pode possuir, negar o que não se compreende e insultar o que se inveja.” Um século adiante o inglês Bertrand Russel vai dizer que “O invejoso, em vez de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros têm.”

Mas quando eu critico raivosamente alguém, a minha crítica diz muito mais respeito a mim e muito menos do fulano, alvo dessa crítica. Freud em 1905, nos seus Três Ensaios da Psicanálise, sabiamente observou que “O outro desempenha sempre na vida de um indivíduo o papel de um modelo, de um objeto, de um associado ou de um adversário”.

A notícia fake de Bolsonaro e Globo, caracterizado por muitos como o bem contra o mal – você fique à vontade em dizer quem é o que nisso -, mostrou que ainda se tem muita alegria por parte de alguns pela tristeza de outros, talvez, esse sentimento de vingança, de justiça, ou da justiça tarda, mas não falha, apenas seja um sentimento que diminui pessoas e que poderiam ser maiores, se se preocupassem em inventar pequenas alegrias para elas, para os outros que convivem com elas, e dessas pequenas alegrais, grandes felicidades poderiam tomar o lugar de enormes tristezas e amarguras que só corroem os que alimentam com tempo, energia e muita disposição em tentar equilibrar a balança da diferença entre nós, diferença que nos faz únicos.

 

Jeferson Fernandes

Jornalista, radialista e psicanalista em formação.

Jeferson Fernandes
Foto:Pixabay