Incidência de câncer entre crianças é 13% maior do que em 1980

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Foto: Aiea/Dean Calma (arquivo)

 

A incidência de câncer infantil foi 13% maior entre 2001 a 2010 do que na década de 1980, afetando 140 a cada 1 milhão de crianças de 0 a 14 anos de idade.

A conclusão está em um estudo apresentado esta terça-feira pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, Iarc, ligada à Organização Mundial da Saúde, OMS. O estudo foi publicado na revista médica especializada Lancet.

Crianças

A pesquisa foi baseada em informações coletadas de quase 300 mil casos de câncer diagnosticados entre 2001 e 2010.

Por telefone, do Rio de Janeiro, o representante no Brasil do conselho científico do Iarc e pesquisador do Instituto Nacional do Câncer, Inca, Luis Felipe Ribeiro Pinto, conversou com a ONU News e explicou razões para o aumento.

“Será que esses 13% de aumento na verdade refletem um aumento verdadeiro de maior número de casos de câncer ou será que a comunidade médica está detectando esses tumores enquanto que em 1980 nós não detectávamos com essa intensidade. Ou será que alguns fatores ambientais estão levando a um aumento real na incidência em 20 anos.”

Segundo a Iarc, a leucemia é o tipo de câncer mais comum em crianças, representando quase um terço dos casos da doença entre menores de 15 anos. Os tumores do sistema nervoso central estão em segundo lugar, com 20% dos casos. Já os linfomas representam 12%.

Adolescentes

O documento também informa a incidência de câncer entre adolescentes, com idades entre 15 a 19 anos. A taxa de incidência anual nesta faixa etária foi de 185 por 1 milhão, com base em registros de cerca de 100 mil casos da doença.

Os tipos mais comuns foram linfoma (23%), seguidos de casos classificados como carcinomas e melanoma (21%).

Segundo o estudo, o câncer em crianças pode estar mais ligado à predisposição genética, na comparação com os casos em adultos.

O pesquisador do Inca, Luis Felipe Ribeiro Pinto, falou sobre a possibilidade de prevenir a doença em menores de idade.

“Infelizmente, nós ainda não temos claramente essas associações entre determinadas exposições e o aparecimento desses tumores. Nós sabemos que o prognóstico, na maioria das vezes para a leucemia, por exemplo, é muito favorável. Eu tiraria qualquer possibilidade de culpa dos pais nesse momento e colocaria sim, uma atenção especial para que qualquer sintoma atípico com seu filho seja imediatamente comunicado ao pediatra e seja questionada a possibilidade de ser um câncer.”

População global

A Iarc explica que os dados do estudo foram coletados de 153 registros sobre câncer em 62 países, cobrindo aproximadamente 10% da população infantil.

Mas os resultados são baseados em informações de quase 100% das crianças da América do Norte e da Europa Ocidental e de 5% ou menos dos menores da África e da Ásia.

Em países de baixa renda, a coleta de dados é prejudicada pela falta de bons serviços de saúde e de estatísticas. O Iarc alerta que em locais com menos recursos, os casos de câncer podem ficar sem diagnóstico, seja por falta de conhecimento ou equipamentos.

 

Laura Gelbert Delgado e Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

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