FAO pede mais incentivos e leis públicas para impulsionar dietas saudáveis

Em Roma para a abertura do simpósio internacional ‘O Futuro dos Alimentos’, o chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, pediu nesta segunda-feira (10) que países adotem incentivos e leis públicas para promover dietas saudáveis. Medidas incluem tanto estímulos para que o setor privado produza alimentos mais nutritivos, quanto taxações de produtos pouco saudáveis e controle da publicidade.

Estudante da rede pública da cidade do Rio de Janeiro come melancia na hora da merenda. Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro

Estudante da rede pública da cidade do Rio de Janeiro come melancia na hora da merenda. Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro

Em Roma para a abertura do simpósio internacional O Futuro dos Alimentos, o chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, pediu nesta segunda-feira (10) que países adotem incentivos e leis públicas para promover dietas saudáveis. Medidas incluem tanto estímulos para que o setor privado produza alimentos mais nutritivos, quanto taxações de produtos pouco saudáveis e controle da publicidade.

“Precisamos mudar nosso foco de produzir mais alimentos para produzir alimentos mais saudáveis”, defendeu Graziano em discurso para acadêmicos, pesquisadores, formuladores de políticas e representantes de governos, sociedade civil e setor privado.

De acordo com a FAO, a fome não é mais o único grande problema nutricional que a humanidade enfrenta.

Atualmente, no mundo, mais de 2 bilhões de adultos com 18 anos ou mais estão acima do peso. Desse grupo, mais de 670 milhões são obesos. O aumento da obesidade entre 2000 e 2016 foi mais rápido do que o avanço do sobrepeso em todas as faixas etárias. Quase 2 bilhões de pessoas no planeta sofrem com deficiências de micronutrientes.

Ainda segundo a agência da ONU, projeções estimam que o número de pessoas obesas vai ultrapassar em breve o número global de pessoas que passam fome, estimado atualmente em 820 milhões.

Existem vários fatores que impulsionam a pandemia global de obesidade e de deficiência de micronutrientes. Além da urbanização acelerada, uma das principais causas do fenômeno é o alto consumo de alimentos ultraprocessados, que são produzidos com base em ingredientes artificiais. Esses alimentos contêm altos níveis de gorduras saturadas, açúcares refinados, sal e aditivos químicos.

Graziano: 4 medidas para melhorar as dietas das pessoas

Em pronunciamento, Graziano elencou quatro medidas que poderiam melhorar a dieta das pessoas.

Em primeiro lugar, os países devem implementar políticas e leis públicas com incentivos adequados, que protejam as dietas saudáveis ​​e estimulem o setor privado a produzir alimentos mais nutritivos. Exemplos de medidas desse tipo incluem impostos sobre produtos alimentícios não saudáveis; rótulos de alimentos mais fáceis de compreender e mais abrangentes; e restrições à publicidade de alimentos, especialmente para crianças.

Em segundo lugar, os governos devem promover o consumo de alimentos locais e frescos, criando circuitos menores de produção e consumo de comida. Em terceiro, os acordos de comércio internacional devem ser projetados para influenciar os sistemas alimentares de uma maneira positiva, já que os alimentos ultraprocessados ​​tendem a se sair melhor no mercado global.

“Infelizmente, nem todos os alimentos considerados seguros são saudáveis. O comércio deve permitir maneiras de levar alimentos saudáveis ​​à mesa”, afirmou o chefe da FAO.

“Em quarto lugar, a transformação dos sistemas alimentares começa com solos saudáveis, sementes saudáveis ​​e práticas agrícolas sustentáveis. Todo o sistema alimentar precisa ser reutilizado”, acrescentou Graziano.

O dirigente também destacou a necessidade de cultivar alimentos de forma a preservar o meio ambiente. O especialista assinalou que o modelo agrícola resultante da Revolução Verde não é mais sustentável. Isso porque os sistemas com altos insumos e uso intensivo de recursos aumentaram a produção de alimentos, mas a um custo elevado para a natureza, gerando desmatamento, escassez de água, esgotamento do solo e níveis elevados de emissões de gases do efeito estufa.

O diretor-geral da FAO também elogiou o papel da academia na transformação necessária para os nossos sistemas alimentares. “Nós nos beneficiamos do seu trabalho e precisamos da sua orientação sobre o que fazer no futuro”, completou Graziano.

O simpósio internacional O Futuro dos Alimentos reúne especialistas de diversas partes do mundo para debater pesquisa, governança e transformações em sistemas alimentares. O evento promove atividades até amanhã (11) e pode ser acompanhado ao vivo pelas redes sociais. Saiba mais clicando aqui.

ONU