Estresse térmico: quais os impactos causados na produção leiteira e a importância do monitoramento

 *Por Anna Luiza Belli, médica-veterinária formada pela Escola de Veterinária da UFMG e pós-graduada pela mesma instituição em zootecnia, na área de produção animal. Coordenadora de território em Monitoramento da Allflex Brasil

Dentro dos sistemas de produção da pecuária leiteira, garantir conforto para os animais é fundamental. O estresse térmico, seja pelo frio ou pelo calor, acarreta um impacto muito grande sobre o desempenho das vacas. Com o avanço das tecnologias e acesso às informações, os produtores de leite brasileiros têm dado maior atenção ao rebanho neste quesito.

A condição de estresse térmico nas vacas ocorre devido às temperaturas altas encontradas em países tropicais, como o Brasil. Durante todo o ano, o rebanho pode ser impactado pelo clima, inclusive no inverno. Por isso, os produtores começaram a perceber que resfriar os animais é imprescindível e tem um impacto positivo na produtividade, principalmente na pesagem de leite.

O que é?

O estresse térmico pelo calor é uma condição de desconforto que pode ser observada pelo aumento da frequência respiratória (acima de 60 movimentos respiratórios por minuto) e o aumento da temperatura retal (acima de 39oC) do animal. Por isso, as fazendas têm adotado alguns mecanismos para garantir o conforto térmico para o rebanho, como os sistemas de resfriamentos, que podem ser direto ou indireto.

No sistema de resfriamento direto, os animais são separados em lotes e colocados numa estrutura, de duas a três vezes ao dia, para serem umedecidos por um aspersor de água de baixa pressão, por cerca de 30 a 45 minutos.

Os animais são molhados com gotas grossas, em ciclos de três a cinco minutos. Depois disso, eles passam por um ciclo de ventilação e é quando eles têm suas temperaturas resfriadas devido à evaporação da água.

Com o ventilador constantemente ligado nessa estrutura, a umidade que está cobrindo os animais é evaporada, levando o calor que estava na superfície do animal, resfriando-o.  

Já o mecanismo de resfriamento indireto é o conhecido galpão de resfriamento: uma sala fechada e totalmente climatizada, em que o ambiente fica com a temperatura controlada (“cross ventilation” ou túnel de ventoem torno de 15oC.

Quais os efeitos negativos do estresse térmico?

Durante a lactação, se o animal está sob estresse térmico há uma queda de consumo de alimento. E se o animal come menos, consequentemente, há uma queda de produção.

Isso pode ser facilmente observado quando se compara a produção de leite em meses de verão e inverno. Em fazendas que não fazem o resfriamento dos animais, os pecuaristas notam que o rebanho produz mais em meses com temperaturas mais baixas. Já nas propriedades equipadas com sistemas de resfriamento, a média anual de produção de leite fica mais homogênea ao longo de todo o ano.

Outro ponto a estar atento é no período de transição. Estudos apontam que as bezerras nascidas de vacas que sofreram estresse térmico durante o período seco nascem em média com cinco quilos a menos do que as bezerras nascidas de vacas que tiveram conforto térmico.

Também há trabalhos que apontam que as vacas sob estresse térmico durante o período de transição têm um grande comprometimento do seu sistema imunológico, com aumento da chance de serem acometidas por doenças infecciosas e metabólicas.

Por isso, é preciso estar atento e adotar medidas para garantir conforto ao rebanho. No entanto, não basta apenas adotar mecanismos de resfriamentos sem saber se a ferramenta está sendo eficiente.

A importância do monitoramento animal

Os sistemas de monitoramento da Allflex, seja ele via colar cSense no pescoço do animal ou brinco eSense, são importantes aliados do produtor. A tecnologia capta a frequência respiratória de cada animal e, de forma individualizada, é capaz de identificar a condição térmica de um determinado grupo, mensurando ao produtor, por meio de gráficos, qual é a porcentagem de vacas sob estresse térmico.

Com a adoção do monitoramento, o produtor passa a tomar decisões assertivas e consegue saber, por exemplo, qual momento do dia os animais têm mais desconforto térmico e o melhor horário para fazer o resfriamento.

Além de monitorar o estresse térmico, a tecnologia permite ainda correlacionar a ruminação, a atividade e a ofegação com aspectos, como o cio e a indicação do melhor horário para inseminação e antecipação de problemas de saúde.

Há ainda outros meios para saber se o rebanho está sob estresse térmico, como o uso de termômetros intravaginais. No entanto, é uma medida que necessita de manejo, é mais trabalhosa e leva muito mais tempo. E, numa atividade com margens cada vez mais apertadas, quem investe em tecnologia, otimiza o tempo de trabalho e sai à frente para melhorar sua produtividade e manter um negócio com sustentabilidade.