Desvio de assistência alimentar no Iêmen precisa acabar imediatamente, diz PMA

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas exigiu na sexta-feira (4) que o desvio de alimentos por parte de facções conflitantes no Iêmen chegue imediatamente a um fim e elogiou um comunicado de líderes rebeldes houthis, no qual afirmaram que a situação está sob investigação.

De acordo com relatos da imprensa internacional, facções e milícias de ambos os lados do conflito bloquearam assistência alimentar para grupos suspeitos de deslealdade, desviando-a para unidades de combate ou vendendo-a no mercado ilegal.

Mulheres iemenitas caminham diariamente por horas para conseguir água. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Mulheres iemenitas caminham diariamente por horas para conseguir água. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas exigiu na sexta-feira (4) que o desvio de alimentos por parte de facções conflitantes no Iêmen chegue imediatamente a um fim e elogiou um comunicado de líderes rebeldes houthis, no qual afirmaram que a situação está sob investigação.

A exigência do PMA foi emitida em carta à liderança houthi e em comunicado à imprensa na véspera de Ano Novo.

“Esta é uma questão que afeta não só o PMA, mas todas as agências que trabalham no Iêmen e de fato em zonas de guerra em todos os lugares, e ninguém pode dizer ao certo o quão amplo é este problema”, disse o porta-voz do PMA, Hervé Verhoosel, destacando que assistência humanitária alimentar está sendo desviada em áreas controladas por houthis, incluindo na capital Sanaa e, em menor grau, em áreas controladas pelo governo.

De acordo com relatos da imprensa internacional, facções e milícias de ambos os lados do conflito bloquearam assistência alimentar para grupos suspeitos de deslealdade, desviando-a para unidades de combate ou vendendo-a no mercado ilegal.

Um grama de prevenção equivale a uma tonelada de cura

O governo do Iêmen deu permissão ao PMA para registrar beneficiários biometricamente, ao identificar e autenticar cada indivíduo com base em dados específicos.

Até o momento, o monitoramento do PMA identificou sete centros na cidade de Sanaa, onde uma estimativa de 1.200 toneladas métricas de alimentos foi desviada em agosto e setembro, equivalente a cerca de 1% dos alimentos fornecidos nacionalmente todos os meses.

“São nossos sistemas de monitoramento que detectam que houve um problema”, explicou Verhoosel. “Estamos comprometidos em garantir que assistência alimentar chegue aos que mais precisam”.

Apesar de a organização local parceira envolvida no abuso ter ajudado a fornecer assistência alimentar para 3 milhões de pessoas, o PMA destacou que autoridades devem investigar e demitir os responsáveis, independentemente de a corrupção ter sido promovida pelo governo ou por organizações não governamentais.

“Para melhorar apoio aos beneficiários, estamos analisando introdução de transferências baseadas em dinheiro em algumas áreas”, disse Verhoosel. “No entanto, dado o risco de corrupção, deixamos claro às autoridades de facto que não iremos introduzir transferências com base em dinheiro a não ser que estejamos autorizados a implementar um sistema de identificação biométrico que use dados pessoais, incluindo escaneamento de íris e impressões digitais dos dez dedos”.

O PMA está respondendo a questão por meio de rastreamentos e monitoramentos de locais suspeitos e por inspeções minuciosas em centros de distribuição.

“As autoridades de facto em Sanaa têm a responsabilidade de agir contra os envolvidos”, destacou. “Elas devem permitir um processo independente de seleção de beneficiários e um sistema de registros com base em biometria”.

Verhoosel afirmou que o sistema de identificação por biometria havia sido lançado em áreas controladas pelo governo e que autoridades em Sanaa ainda precisam aceitar a implementação do sistema.

Enviado especial da ONU faz visita

Paralelamente, o enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, viajou ao país e à Arábia Saudita no sábado em sua mais recente rodada de consultas com as partes conflitantes, onde uma frágil trégua está sendo mantida na importante cidade portuária de Hodeida desde 18 de dezembro.

De acordo com a ONU em Genebra, Griffiths deve se encontrar com a liderança Ansarallah (nome oficial do movimento houthi) e com o chefe do comitê convocado pelas Nações Unidas para monitorar o cessar-fogo em Hodeida, o general Patrick Cammaert; além da coordenadora humanitária da ONU Lise Grande em Sana’a. Ele então irá se encontrar com o presidente do Iêmen, Abdrabbuh Mansur Hadi, e com outras autoridades em Riad.

ONU