Curitiba inaugura 1º supermercado da América do Sul com refrigeração de gás natural

Empresários, técnicos e moradores de Curitiba (PR) se reuniram no início do mês (3) para inaugurar o primeiro supermercado da América do Sul que usa o gás natural propano em sistemas de refrigeração e congelamento de produtos.

A substância é uma alternativa sustentável a químicos sintéticos que destruíam a Camada de Ozônio. Tecnologia usada no novo centro de vendas é fruto de parceria entre agência da ONU e o governo e setor privado brasileiros.

Da esquerda para direita, Marson Rodrigues, da Eletrofrio, e Ole Nielsen e Sérgia Oliveira, da UNIDO. Foto: UNIDO

Da esquerda para direita, Marson Rodrigues, da Eletrofrio, e Ole Nielsen e Sérgia Oliveira, da UNIDO. Foto: UNIDO

Empresários, técnicos e moradores de Curitiba (PR) se reuniram no início do mês (3) para inaugurar o primeiro supermercado da América do Sul que usa o gás natural propano em sistemas de refrigeração e congelamento de produtos. A substância é uma alternativa sustentável a químicos sintéticos que destruíam a Camada de Ozônio. Tecnologia usada no novo centro de vendas é fruto de parceria entre agência da ONU e o governo e setor privado brasileiros.

O supermercado, da rede Condor, foi o primeiro da rede a adotar diversas medidas para reduzir não só a emissão de gases de efeito estufa, os HCFCs, mas também o desperdício de água e energia. No campo da refrigeração, o propano (R-290) e o CO2 foram as alternativas escolhidas. Nos sistemas de resfriados, foi utilizado o propano e, nos sistemas de congelados, foi utilizado o CO2 combinado com o propano. Este supermercado também conta com luz natural e lâmpadas de LED, usina solar com 1.443 painéis e sistema de captação de água da chuva.

O evento contou com a presença de representantes da Organização das Nações Unidas para Desenvolvimento Industrial (UNIDO), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Agência Alemã de Cooperação (GIZ), da Eletrofrio Refrigeração e de outros parceiros do projeto.

O empresário Pedro Joanir Zonta, presidente do grupo Condor, deu as boas-vindas a todos e falou também da preocupação da empresa em se manter atualizada no que diz respeito às tecnologias que utiliza e como elas afetam o meio ambiente.

“O novo Condor Venceslau Braz vai entrar para a história como o primeiro supermercado da América do Sul a utilizar uma tecnologia em seus equipamentos de refrigeração: o Propano, um gás natural inofensivo à Camada de Ozônio, com tecnologia revolucionária na eliminação dos gases sintéticos que prejudicam a natureza”, disse o executivo.

Zonta explicou que a tecnologia contribui para o cumprimento da meta do Protocolo de Montreal, “que é substituir os gases refrigerantes sintéticos, nocivos ao meio ambiente, no Brasil”.

'Chillers' modulares com propano. Foto: UNIDO

‘Chillers’ modulares com propano. Foto: UNIDO

Por meio de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a UNIDO e a Eletrofrio Refrigeração, no âmbito do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), foi desenvolvida uma nova tecnologia de refrigeração para ambientes de média e grande escala, como mercados e supermercados, que faz o uso do R-290 como fluido frigorífico.

Ole Nielsen, chefe da Unidade do Protocolo de Montreal da UNIDO, falou sobre o caminho percorrido para se chegar à nova tecnologia e sobre a superação de suas expectativas para com o projeto.

“É incrível presenciar o que essas empresas tão prestigiadas podem entregar no que diz respeito à proteção do meio ambiente. Tudo começou há cinco anos, quando estávamos preparando uma estratégia nacional para o Brasil, para lidar com essas substâncias tão debatidas. Para ser honesto, eu ainda tinhas dúvidas se isso seria concretizado ou não, mas há exatamente um ano eu estive no Brasil e visitei uma feira onde a Eletrofrio estava, e eles disseram ‘Queremos te mostrar uma coisa’. E lá estava um módulo, na forma como havíamos pensado. Uma maravilha.”

Ele também parabenizou os envolvidos pela escolha de uma tecnologia que faz uso de fluidos naturais que não agridem a Camada de ozônio.

“Tenho certeza de que vocês levarão outras companhias para a mesma direção, para o bem do nosso meio ambiente”, acrescentou Nielsen.

No mesmo dia, a UNIDO e a Eletrofrio discutiram os próximos passos para o projeto – dentre eles, a promoção da tecnologia através de visitas à linha de produção da Eletrofrio e um evento especial em três ou quatro meses, para a apresentação da nova tecnologia e dos resultados da operação do equipamento em condições reais, destacando a eficiência energética, que deve ser comparada com tecnologias tradicionais.

Segundo Rogério Marson Rodrigues, gerente de Engenharia da Eletrofrio, é importante que se desenvolva um equipamento de qualidade, mas que também seja ressaltada a necessidade de se criar um ambiente seguro para o uso dessas tecnologias. De acordo com Marson, “a tecnologia em si é simples de ser explicada”.

“O que realmente precisamos discutir é a segurança. Segurança é o principal ponto a ser discutido nesse tipo de sistema de refrigeração”.

“Um dos objetivos do projeto é evitar a manutenção dentro do supermercado. Por ser um sistema modular, se necessário, retira-se apenas o módulo em falha, levando-o para a fábrica para realizar a manutenção. Claro que um dos próximos passos, quando o sistema se tornar uma solução difundida no mercado, é providenciar um novo sistema de assistência técnica da Eletrofrio ou providenciar a manutenção em local autorizado”, diz Ivair Soares Junior, gerente de Engenharia, Instalações e AT da Eletrofrio, sobre a assistência técnica do novo sistema.

Apesar de a nova tecnologia ainda ser recente, a equipe vê o projeto com muito otimismo, uma vez que agora ela está disponível para o público, expandindo as alternativas tecnológicas ao uso dos HCFCs. “Quando as pessoas conhecerem, verão o quão segura é a nova tecnologia”, afirma Edgard Soares, especialista em Refrigeração da UNIDO.

Segundo a gerente de projetos da UNIDO, Sérgia Oliveira, o projeto faz parte do Programa Brasileiro de Eliminação do HCFC-22 e, assim como este, estão sendo discutidos outros projetos em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, a UNIDO e a iniciativa privada no âmbito do Protocolo de Montreal, com o objetivo de disponibilizar cada vez mais novas tecnologias que visem à proteção do meio ambiente.

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