CRÉDITO PARA MICRO E PEQUENAS INDÚSTRIAS CONTINUA ESCASSO E ATINGE PIOR NÍVEL REGISTRADO

Pesquisa aponta ainda que apenas 5% dos empresários da categoria têm capital de giro mais do que suficiente

A 62ª rodada do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, encomendado pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi) ao Datafolha, mostra que os empresários da categoria permanecem com dificuldade de obter empréstimos e financiamentos. Das micro e pequenas indústrias (MPI’s) que fizeram consulta a crédito em abril, 65% não conseguiram.

O presidente do Simpi, Joseph Couri, explica que esse é o pior percentual de MPI’s que não tiveram acesso ao crédito desde agosto de 2017, quando o índice começou a ser medido. “As altas taxas de juros continuam sendo o principal empecilho, seguido por falta de linhas de crédito adequadas e, em terceiro, restrição por outras dívidas, para obter empréstimos e financiamentos”, completa.

O estudo mostra também que apenas 5% da MPI’s possuem capital de giro mais do que o suficiente, sendo que o cheque especial é a principal fonte de acesso ao capital de giro para a categoria desde setembro de 2015. Em abril, 14% das micro e pequenas indústrias utilizaram o cheque especial para ter capital de giro. Além disso, o índice de investimento das micro e pequenas indústrias, que varia de 0 a 200, recuou de 38 pontos em março para 22 em abril, o pior nível para o mês desde 2013.

“A junção desses dados aos rumores de maior disponibilidade de crédito para micro e pequenos empresários, que não se concretizam, e ao desaquecimento do mercado interno gera queda no otimismo, que caiu 10 pontos em abril, atingindo 136 pontos”, pontua Couri. De acordo com a pesquisa, o nível de otimismo chegou a alcançar 151 pontos em janeiro, o maior da série histórica.


*Percentual de MPIs que não tiveram sucesso na obtenção de crédito

Situação vulnerável

A pesquisa ainda mostra que o nível de emprego segue baixo, registrando 93 pontos em abril. “O número de empresas da categoria que demitiram é superior às que contrataram, traduzindo-se na continuidade de perda líquida de empregos. Ao todo, 12% das MPIs contrataram colaboradores, contra 19% que demitiram”, explica Couri.

“Apesar de estarmos próximo de um equilíbrio entre demissões e contratações, as micro e pequenas indústrias ainda se encontram em um patamar ruim”, finaliza.

A Pesquisa

O Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, encomendado pelo Simpi e efetuada pelo Datafolha, é reconhecido como sinalizador de tendência. É importante salientar que 42% das MPIs de todo Brasil estão em de São Paulo.

A íntegra das 62 pesquisas Simpi/Datafolha, desde março de 2013, está disponível no site da entidade (http://www.simpi.org.br).