Ciclos 2019 – Evolução tecnológica demanda uma nova educação no século 21

A velocidade da evolução das tecnologias exponenciais é tamanha que o cérebro humano é incapaz de acompanhar. Segundo a Lei de Gordon E. Moore, a capacidade de processamento de dados dobra a cada 18-24 meses. Significa que 30 passos exponenciais do desenvolvimento tecnológico atual equivalem a 26 voltas em torno da terra. 

Este cálculo demonstra o tamanho da revolução que estamos vivendo, no presente, e como deverá se tornar a vida humana, nas próximas décadas do século 21.  Graças à transformação digital, ocorrida nos últimos anos, que colocou smartphones nas mãos de milhões de seres humanos com dezenas de aplicativos, monitorados por algoritmos que agrupam pessoas por pensamentos, atitudes e desejos de consumo semelhantes, e ao potencial ilimitado de processamento e armazenamento do Big Data, é inimaginável as novidades que ainda estão porvir.

A vida humana vai mudar para sempre, assim como aconteceu em outras épocas revolucionárias. É certo que a tecnologia pode ajudar a humanidade a resolver grandes desafios sociais, ambientais, entre outros, que antes não foram solucionados, mas há sempre que lembrar que ela também pode ajudar a gerar resultados nem sempre benéficos. Tudo dependerá do propósito de quem está por trás das tecnologias.

Estas são algumas observações e alertas que Francisco Barreto Araujo, antropólogo apaixonado por tecnologia, líder da Impacto e guest speaker da Singularity University fez em sua palestra ‘Tecnologias exponenciais e a educação do século 21’ no Congresso Internacional de Sustentabilidade, que está sendo realizado pelo Sebrae em Cuiabá (MT).

A formação do palestrante é diversificada, com mestrado em negócios, políticas públicas em Harvard, tecnologias com impacto ambiental na Singularity University no campus da Nasa, entre outras especialidades, experiências e vivências em comunidades indígenas, favelas do Rio de Janeiro, etc

Ele é líder da Impacto, uma rede que promove impacto social e também ensina como fazer impacto social. Para mostrar o quanto a tecnologia já pode ajudar as pessoas a se conhecerem mais, mostrou o resultado do mapeamento de seu DNA, que pode ser feito por apenas US$90, fora do Brasil. “ É simples, você cospe num kit, que joga num site e aparece o seu DNA mapeado. Desse modo podemos saber como o filho da gente pode vir a nascer, com quais possiblidades de doenças, etc Esta tecnologia já existe e está acessível”, informou entusiasmado. 

Outra educação

Como educar, hoje, para não ficar para trás? O ritmo do avanço tecnológico possui um enorme potencial de excluir pessoas da nova economia, que está surgindo.  Se os sistemas educacionais não se adaptarem à revolução das tecnologias exponenciais, no ano de 2050,  uma em cada 3 pessoas será excluída, segundo o palestrante.

“Gente que não teve acesso ou gente que não quis acompanhar a revolução tecnológica vai ficar de fora. Antes a natureza mudava devagar, a cultura a governança, infraestrutura comercio e moda. Hoje, a tecnologia  muda organismos”, comparou.

Em 2023, um PC (Personal Computer) de US$ 1 mil dólares terá a mesma capacidade de processamento de um cérebro humano.  Em 2050, terá a capacidade computacional de todos os cérebros humanos juntos. Da pra pensar na educação pra viver esta curva?, Francisco desafiou a plateia.

“A sua vida está sendo devorada pelos dados”, disparou. A revolução tecnológica transformou o mundo: de escala e escopo para rapidez e fluidez; da previsibilidade para agilidade; da rigidez e limites para limites fluidos; do comando e controle para empoderamento criativo; de reação e aversão a riscos para intraempreendedorismo; de intenção e estratégia para propósito; de vantagem competitiva para vantagem comparativa; de dados e análise para síntese de Big Data.

“Estamos vivendo a possiblidade de ver a transformação do planeta feita por grupos, como nunca aconteceu antes”, afirmou Francisco.  “Podemos gerar impactos que antes não tínhamos. As empresas estão surgindo amontoadas. Como viver neste mundo nesta velocidade? Com nanotecnologia, inteligência artificial, robótica, entre outras coisas mais?”, acrescentou.

Sempre vivemos curvas de tecnologia. Elas geralmente ocorrem em ciclos de 40 a 60 anos. Ele apresentou uma linha do tempo mostrando a  primeira guerra, segunda guerra e a guerra do Vietnam.  Por que? Porque tem que ter crise para que a novidade surja (novas tecnologias).  Quarenta anos é o tempo laboral de uma geração, argumentou.

Sempre falta imaginação no modelo de educação da geração anterior para o mundo que vem depois. Como a Kodak não viu e não temeu o surgimento da foto digital, exemplificou.

O que é mais importante as primeiras cidades na Suméria ou as smart cities de hoje, com tudo conectado, sem bancos, a rede afiançando as trocas, indústria em cada esquina com robôs produzindo de tudo, sem precisar produzir na China?, perguntou. No entanto, em cada um desses momentos de transformação radical dos rumos da história da humanidade, teve alguém que não pegou a onda e ficou para trás, alertou.

No entanto, lembrou, que o grande motivador da revolução tecnológica são as pessoas.  As opções de compra e trabalho ditam os novos modelos de negócio, que só vão funcionar se atenderem as necessidades e desejos das pessoas. “ A gente está controlando esta mudança de algum jeito”, afirmou.

Hoje está assim: pessoas, tecnologias e negócios. Por este motivo, o propósito é que move o desenvolvimento de novas tecnologias e os novos modelos de negócios. “ O Facebook só foi  monetizado tempos depois. Esta inversão é radical. As pessoas estão no centro”, enfatizou.

A receita para a educação da nova era se baseia no ‘faz, aprende e mede”, no autodidatismo.  Temos de ser educados para aprender o tempo todo, sem medo de errar e correr riscos. É o contrário da educação da geração anterior, que procurava ter uma carreira profissional linear para ficar na zona de conforto, sem correr riscos.

Ninguém nasce sabendo tudo. “Growth mindset” (mentalidade de crescimento) é a expressão em inglês, que significa que as pessoas podem aprender, ser treinadas e desenvolver conhecimentos em diversas áreas, por caminhos próprios, correndo riscos, errando para acertar.

Há empresas que já entenderam este conceito e estão criando espaços para funcionários tentarem o que nunca foi feito, cocriarem, se desafiando, podendo aprender novos caminhos, errando e recomeçando até chegarem ao que querem alcançar.

“Precisamos de aprender a aprender e psicologia de alta performance, cruciais para educação que vem aí”, enfatizou Francisco.

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