CEPAL: novas políticas industriais são fundamentais para pequenas e médias empresas latino-americanas

A nova geração de políticas industriais que impulsionam os ecossistemas tecnológicos é fundamental para o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas da América Latina, afirmaram autoridades, especialistas internacionais e representantes do setor público e privado que participam de seminário iniciado na quarta-feira (10) em Buenos Aires, na Argentina.

Na reunião de alto nível, os participantes abordarão os principais desafios dessas empresas e a construção de estratégias de cooperação que as ajudem a superá-los. O evento, que acaba nesta quinta-feira (11), é organizado por Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), União Europeia e União Industrial Argentina (UIA).

Empresas pequenas e de médio porte como "start-ups" apostam em inovação das tecnologias e podem encontrar soluções práticas e avançar desenvolvimento em países emergentes. Foto: Pexels

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A nova geração de políticas industriais que impulsionam os ecossistemas tecnológicos é fundamental para o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas da América Latina, afirmaram autoridades, especialistas internacionais e representantes do setor público e privado que participam de seminário iniciado na quarta-feira (10) em Buenos Aires, na Argentina.

Na reunião de alto nível, os participantes abordarão os principais desafios dessas empresas e a construção de estratégias de cooperação que as ajudem a superá-los. O evento, que acaba nesta quinta-feira (11), é organizado por Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), União Europeia e União Industrial Argentina (UIA).

Com mais de 200 participantes, o encontro foi inaugurado por Fernando Grasso, secretário da Indústria do Ministério de Produção e Trabalho da Argentina; Jolita Butkeviciene, diretora para América Latina e Caribe da direção geral da Comissão Europeia para a Cooperação Internacional e o Desenvolvimento; Daniel Funes de Rioja, vice-presidente da UIA, presidente da Coordenação das Indústrias de Produtos Alimentícios da Argentina (COPAL) e presidente do B20 Argentina (fórum internacional dos empresários para o G20); e Mario Cimoli, secretário-executivo adjunto da CEPAL.

Grasso afirmou que a infraestrutura física e a conectividade são chave para que as micro, pequenas e médias empresas possam se desenvolver. Também destacou o papel da educação como ferramenta que entrega a capacidade de gerar pessoas que fomentem a inovação.

“Estamos vivendo a uma velocidade tremenda pelas mudanças de paradigmas tecnológicos, com um alcance transversal no nível da produção. Desse ponto de vista, é importante que haja um nível de infraestrutura adequado para que as empresas possam ser geridas em um entorno que permita internalizar esse tipo de tecnologia, mas também que existam políticas de sensibilização que possam ajudar essas empresas a entender o que é essa revolução”, disse Grasso.

Jolita Butkeviciene disse, por sua vez, que para poder enfrentar seus desafios, as micro, pequenas e médias empresas da América Latina precisam de apoio, já que sozinhas não poderão superá-los. “Na UE, queremos ter uma visão compartilhada com a América Latina. Para nós, não há nada mais importante que o crescimento sustentável com emprego”, disse a representante máxima do bloco europeu para a cooperação com América Latina e Caribe.

“Precisamos compartilhar assessoria técnica e lições aprendidas. Também precisamos de um empurrão, estamos aqui para apoiar, mas para isso é fundamental a criatividade. O campo está aberto nas suas mãos para a cooperação mútua”, disse Butkeviciene.

Daniel Funes afirmou que a Argentina é um país que tem recursos naturais e humanos adequados para enfrentar essa mudança ou ruptura tecnológica em meio a incertezas globais e locais. “Isso não vai nos impedir. A velocidade da mudança é tal que, ou enfrentamos agora, ou o atraso e o divórcio com o mundo desenvolvido será aguçado”, disse ele.

“Mas sozinhos não podemos, há uma necessidade de integração. E essa integração deve nos levar a um modelo de inclusão produtiva e trabalhar lado a lado pelo desenvolvimento sustentável. Como empresários, reafirmamos nossa vocação para o multilateralismo e integração inteligente”, acrescentou.

O vice-secretário executivo da CEPAL, Mário Cimoli, alertou que, se as brechas na produtividade e na estrutura produtiva não forem fechadas, não há processo de inclusão possível para micro, pequenas e médias empresas.

“É necessária uma nova geração de políticas industriais na América Latina e no Caribe, como tem sido feito na Europa. Nossa preocupação é construir políticas que promovam ecossistemas tecnológicos, mas isso deve ser feito em um contexto de sustentabilidade e no multilateralismo. Isso é fundamental”, disse Cimoli.

O seminário busca apoiar os governos da região no desenvolvimento de melhores políticas de promoção das micro, pequenas e médias empresas, que representam aproximadamente 99% das empresas, 61% do emprego e 25% da produção na América Latina.

Em diferentes painéis, os participantes analisarão, em particular, a acelerada inovação digital que está modificando radicalmente os modelos de negócios, os processos de produção e os padrões de consumo, uma situação que colocou no centro das estratégias de negócios a capacidade de construir redes e sistemas produtivos devidamente articulados e integrados.

Também serão propostos espaços de diálogo público-privado para permitir a formulação de novas diretrizes estratégicas para o desenho de medidas de apoio às micro, pequenas e médias empresas que considerem mudanças no cenário competitivo global.

Durante o evento, também foi apresentada uma publicação “Micro, pequenas e médias empresas na América Latina — um desempenho frágil e novos desafios para as políticas de desenvolvimento“, preparada pela CEPAL com o apoio da União Europeia, que analisa o desempenho dessas empresas na região e as políticas e instituições que as apoiam.

Segundo o documento, o esforço feito pelas entidades de desenvolvimento permitiu ampliar o marco regulatório e diversificar as medidas de apoio. No entanto, esses avanços não são suficientes para enfrentar os desafios que caracterizam o atual cenário competitivo, por isso, é necessário propor uma profunda mudança na abordagem e nas modalidades de trabalho das entidades de apoio.

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