Câmpus Jaboticabal faz projeto para cultivo de lúpulo brasileiro

O Núcleo de Estudos em Olericultura e Melhoramento (Neom) da Unesp, localizado na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) do câmpus de Jaboticabal, desenvolve um projeto para obtenção de cultivares de lúpulo adaptadas às condições tropicais.

O projeto foi iniciado pelo engenheiro agrônomo Renan Furlan, doutorando em genética e melhoramento de plantas, e pela professora Leila Trevisan Braz, com o objetivo de obter cultivares de lúpulo que se adaptem ao clima tropical.

O Humulus lupulus, conhecido popularmente como lúpulo, é uma planta trepadeira que apresenta algumas características particulares, como o rápido crescimento. Pode alcançar um crescimento de 20cm a 30cm ao dia, chegando a medir de 5m a 7m de altura em menos de cinco meses.

A parte da planta que desperta o interesse comercial é a flor feminina, popularmente chamada de cone. No cone, são encontradas glândulas de lupulina, que contêm os alfa-ácidos, beta-ácidos e os óleos essenciais, que são os definidores das características de cada cultivar.

O lúpulo é conhecido mundialmente como um dos quatro ingredientes básicos para a fabricação da cerveja, junto com a água, o malte e a levedura. Essencial na fabricação da cerveja, o lúpulo tem a capacidade de agregar amargor, sabor e aromas e, além disso, também apresenta propriedades bactericidas que protegem a fermentação.

Cerca de 98% da produção mundial é destinada à indústria cervejeira, mas o lúpulo também tem sido utilizado na medicina tradicional, como agente antimicrobiano, anti-inflamatório, calmante e até mesmo em testes no combate ao Alzheimer.

O lúpulo é uma planta dioica, ou seja, apresenta os sexos separados. Para se realizar os cruzamentos controlados, é necessário manter as plantas femininas e masculinas separadas, para que se saiba qual o pólen que fertilizou cada flor feminina. Após a polinização, obtêm-se sementes que precisam passar por um processo de quebra de dormência. São necessários cerca de dois meses em temperaturas em torno de 5ºC para germinarem. Após a germinação, as plantas já começam a ser avaliadas nas condições climáticas da região, o que ajuda a selecionar as que se mostrarem superiores.

Projeto premiado

Em setembro de 2018, o projeto do Neom foi premiado pela maior empresa da cadeia de lúpulo no mundo. O concurso se chama Barth Haas Grant e premia todo ano de 5 a 6 estudantes com projetos inovadores sobre lúpulo. O prêmio é decidido por um júri composto por sócios-gerentes da Barth Haas e membros da equipe científica.

Os prêmios consistiu na entrega de um troféu, no pagamento de € 2.000 (cerca de R$ 8.500) e na publicação dos nomes dos envolvidos no projeto da FCAV na newsletter de setembro da empresa.

Veja mais informações sobre o projeto no vídeo abaixo.

 

Por: Bruna Ferreira Alves, da FCAV

A professora Leila Trevisan Braz e o pesquisador Renan Furlan
Imagem: Divulgação / FCAV Unesp

 

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