Calor residual do metrô de Londres será usado no aquecimento de residências

O metrô de Londres adotou mais uma prática sustentável com o objetivo de tornar a cidade autossuficiente em energia e emissão de carbono: a partir do próximo inverno, o calor gerado pelo sistema de transporte público será reaproveitado no aquecimento urbano.

A Linha Norte será a primeira a canalizar o ar quente beneficiando mais de mil residências do bairro de Islington, além de escritórios e centros de lazer. A iniciativa deve diminuir as taxas de energia das moradias e os túneis do metrô ficarão mais frescos.

O projeto denominado “Bunhill 2” nasceu de uma parceria entre a Islington Council, Transport for London e a empresa de engenharia Ramboll, a primeira do gênero na Europa. O calor gerado pelos sistemas mecânicos do metrô da capital inglesa deverá ser capturado e canalizado através de bombas que alimentarão a rede de energia de Islington, fornecendo calor e água quente para as propriedades. Durante os meses mais quentes, o sistema pode ser revertido, permitindo a entrada de ar fresco nos túneis.

A busca por fontes alternativas de calor renovável no Reino Unido está ganhando ritmo acelerado, tanto pela crise climática que assola o planeta como em consequência da proibição do governo de usar caldeiras a gás em imóveis novos, a partir de 2025.

“Quase metade da energia usada no Reino Unido é destinada ao calor e um terço das emissões do Reino Unido são provenientes do aquecimento. Com o governo declarando que devemos ser neutros em carbono dentro de 30 anos, precisamos encontrar uma maneira de tirar o carbono de nosso sistema de aquecimento ”, explicou Tim Rotheray, diretor da Associação de Energia Descentralizada, ao jornal The Guardian.

A Greater London Authority (GLA) estima que em Londres há um desperdício de calor suficiente para atender 38% de sua demanda por aquecimento. A criação desse tipo de solução apenas daria o destino certo ao que já está sendo produzido em abundância.

“Com o crescente uso de fontes de energia renováveis, as bombas de calor em larga escala conectadas aos sistemas de aquecimento urbano desempenharão um papel importante no futuro aquecimento das cidades no Reino Unido”, afirmou Lucy Padfield, diretora de aquecimento urbano da Ramboll. O projeto para a Linha Norte do metrô deverá entrar em funcionamento até o final de 2019.   

imagem- site oficial Ramboll